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Artigo

A interposição razão e emoção

25 de Junho de 2020 as 16h 07min

A mente humana é como o pêndulo de um relógio que flutua entre a razão e a emoção. (Augusto Cury)

 

Diante de uma situação ameaçadora onde o direito a vida é colocado ‘em xeque’ fica muito difícil decidir o que é melhor. Um grande exemplo está seguinte situação: inicia uma briga dentro de um bar onde você apreciava seu bom papo a um leve som ambiente e uma taça de sua bebida preferida e seu aperitivo. De repente, o agressor vem em sua direção com uma ferramenta não identificada pronto para agredir lhe. Você olha a frente e, ao redor e, procura algo para se defender. Um prato a mesa, a sua cadeira, a mesa ou até mesmo a caixa de som que alegremente segue cantando como se nada houvesse acontecido. O que fazer? Como zelar pela própria vida que, em fração de segundos anda em risco?

Em nossos antepassados, a luta pela sobrevivência sempre fez parte do rol de habilidades humanas. É certo que o indivíduo quando tem a sua vida exposta a riscos, tentará todos os mecanismos para sair ileso. O corpo produz atitudes involuntárias, típicas do sistema nervoso autônomo involuntário. O enfrentamento diante de um leão brota a partir desse sistema. Nessa hora a emoção prevalece diante da razão.

A emoção nos impulsiona. Nos traz à respostas instantâneas. Nos faz sorrir, chorar, encolerizar quando nos sentimos ameaçados. Pelo dicionário on line: Reação moral, psíquica ou física, geralmente causada por uma confusão de sentimentos que, diante de algum fato, situação, notícia etc. A emoção libera um turbilhão de sentimentos sem que sejamos racionais para dominá-los. Por outro lado, a razão caminha ao contrário. Agir com razão, é poder pensar nas consequências de uma decisão. No que pode acontecer em dependência de um passo mal dado. Nos garante uma ação consolidada, com baixo risco de arrependimento e um amanhã amparado.

Afinal, o corpo poderia apresentar apenas uma das duas sensações e estaria tudo certo. Não é bem assim. A cada momento é necessário uma predominar sobre a outra e, no final, as duas se interpor. Muitas vezes a razão precisa predominar sobre a emoção, pois, somente assim algumas consequências catastróficas podem ser amenizadas. As compulsões são frutos das emoções. Com emoção predominante, os acidentes de trânsito podem aumentar, indivíduos podem comprar e gastar influenciados pelos anúncios relâmpagos da internet, acreditar devocionalmente em fake news de promessas de tratamentos esdrúxulos quando a sua saúde se põe abalada, entre outras séries de situações inusitadas pela prevalência emocional.

Devemos ser razão ou pura emoção? Se muitos cientistas pudessem opinar agora, diriam que os impulsos e a resolutividade de suas obras, só foram possíveis graças a uma emoção racionalmente pensada na hora de dar o primeiro passo. Um atleta campeão diria que venceu somente por que a sua emoção gritou no interior: “vai, você pode mais”. Um senhor casado há anos, só se jogou aos braços de sua amada quando veio impulso de beijá-la mas, a grande maioria teve que se organizar e buscar a melhor estratégia e momento oportuno antes de dar o passo decisivo.

A vida é feita múltiplos desafios diários e, cada novo obstáculo vencido temos a sensação de maior amadurecimento e, envelhecemos mais confiantes. Dizem que os mais velhos são mais racionais que emotivos. Deve ser porque aprenderam com suas quedas motivadas emocionalmente ou acovardaram-se quando a razão falou mais alto. Eles podem ter experimentado o contrário. Se sentindo vitoriosos em aplicar a dose de emoção ideal no momento oportuno ou, simplesmente usarem a pitada de razão que faltava para a sua decisão definitiva.

Usar razão ou emoção não tem uma resposta ideal. Somente o universo e a experiência individual dirá.

 

*Julio César Marques de Aquino (Júlio Casé) é médico de Família e Comunidade pela SMS- Sinop/MT. Professor de medicina de pela UFMT campus Sinop. Autor do livro “Receitas para a vida” pela editora Oiticica. Contato: email: juliocasemed@gmail.com

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