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Direito de ser mãe

13 de Maio de 2020 as 10h 00min

“Uma mulher, deu à luz dentro de uma viatura do Corpo de Bombeiros. Após o parto, a mãe foi levada junto com a recém-nascida para uma Unidade de Pronto Atendimento e passam bem.”

“Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria.” (https://www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria/sao-lucas/2/)

 

Toda mulher tem o direito de ser mãe e, cabe a cada uma, a escolha e, consequente decisão comum com o parceiro para a gestação. O direito é assegurado pela Constituição Federal, adquirido através da atenção integral à saúde, em todos os seus ciclos vitais e, que inclua, como atividades básicas, a assistência à concepção e contracepção, o atendimento pré-natal, a assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato ( Lei n. 9.263, de 1996). Ser mãe envolve uma série de decisões e renúncias que levam a muitas mulheres a reflexão na atualidade sobre qual momento e possibilidade de gestar. Outras mulheres, após a experiência maternal, vislumbram a decisão convictas de sua opção.

Não existem filhos sem mãe. Poderão haver crianças rejeitadas ou, nascidas de barrigas de aluguel entretanto, o óvulo fecundado tem uma origem conhecida. A ciência com seus avanços, permitiu novas modalidades de fecundação mas, não uma criação em laboratório de um óvulo. Pelo menos ainda não. É necessário uma mulher com ovários fecundos para prosseguir a prole.

Tornar-se mãe é uma via de mão única e, existem tocantes a serem avaliados antes da parcial certeza. Ao ocorrer a fecundação e o crescimento do bebê no ventre feminino, múltiplas características físicas e psíquicas passam a assumir o corpo da mulher. Inicia-se a instituição da vida com a implantação da célula embrionária, as mudanças no corpo feminino e a sensação da maternidade na nova gestante. Com o crescimento da criança, as características da progenitora, são apresentadas paulatinamente no herdeiro e demonstradas com a aparência e atitudes. “Ele é parecido com ela até na forma de pensar”. Para muitas mães, não existe orgulho maior.

Alguns prejuízos há de serem mencionados nesta missão duradoura. Ser mãe para muitas mulheres, pelo menos na fase de gestação e no início da vida do bebê, leva a perda da autonomia pessoal onde muitas mulheres, assumem o compromisso de estar em função do filho o que pode desencadear o início de uma transferência de recursos financeiros, alimentícios dela para a cria e, até prorrogar as realizações pessoais para os cuidados com a cria.

O “ser ou não ser mãe” deve ser decidido ou impulsivo? Tudo dependerá de muitos fatores. Há quem diga que “quem pensa, não gesta”. Talvez aí esteja a explicação de algumas gestações ocorrerem sem o planejamento ou as minuciosamente programadas, acabarem não acontecendo.

Não existe uma receita que possa ser extraída em um livro ou site para tornar-se mãe. As mulheres que são agraciadas a possibilidade de gestar aprenderão com as atribuições que lhes serão concedidas. Tudo acontecerá. A gravidez, o nascimento, o crescimento e a saída de casa para a independência. O que prevalecerá, serão as boas lembranças do dia do nascimento glamuroso de uma sala de partos ornamentada, uma inesquecível filmagem do momento e a bela canção “Espatódea” de Nando Reis ou, a simples manjedoura e até mesmo a cabine de uma viatura de bombeiros a sonorização da sirene a viatura. Não importa. O que entra em evidência é o doce gesto da nova mulher que se tornou mãe.

 

*Julio César Marques de Aquino (Júlio Casé) é médico de Família e Comunidade pela SMS- Sinop/MT. Professor de medicina de pela UFMT campus Sinop. Autor do livro “Receitas para a vida” pela editora Oiticica.

Júlio Casé

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