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Artigo

Remissão do pecado

28 de Outubro de 2019 as 17h 51min
Fonte: Jamerson Miléski

Em junho desse ano o vereador Hedvaldo Costa (PR), se apossou de um das ações mais produtivas que já surgiram na Câmara de Sinop. Pela limitação do ofício, o legislativo municipal não tem lá muito campo para agir. Ou como os edis costumam dizer: “não tem o poder da caneta”. Então, não há como esperar nada muito transformador surgir através de uma Câmara de vereadores.

Uma dessas ações “inovadoras” foi a sinalização dos logradouros públicos. Hoje é relativamente fácil encontrar um endereço em Sinop porque o nome das ruas e avenidas estão pintados no primeiro poste de cada quadra. Uma ideia simples, barata, fácil de ser executada e eficaz que surgiu de uma indicação feita pelo então vereador Jorge Muller, lá em 2007. A indicação foi acatada pelo prefeito da época, Nilson Leitão, que como bom pintor, começou a esparramar tinta pelos postes. A prática foi mantida pelos prefeitos de Sinop desde então, embora não haja um traço legal para tal. Pelo menos até agora.

Como estava dizendo, em junho desse ano Hedvaldo, em uma das suas falas na tribuna, reivindicou para si a autoria de usar os postes para identificar os logradouros públicos. Disse que começou a fazer isso em 2005, quando foi secretário de trânsito. Errou no tempo e no espaço. Na época sequer havia secretaria de Trânsito, ele só ocupou a função de secretário em 2007 e quem pintou os postes foi o então secretário de obras e irmão do prefeito, Glaucio Leitão.

Pela “canelada”, qualifiquei Hedvaldo como um “ladrão de projetos” – exagero, confesso! Como bom cristão que é (e também admirador profundo da história, que eu sei), Hedvaldo absorveu bem a crítica e tratou de buscar a remissão do seu “pecado”. Apoiando-se no ditado “o trabalho enobrece o homem”, o vereador tratou de fazer o seu, para garantir que a pintura dos postes será algo eterno em Sinop.

Hedvaldo conseguiu reescrever a história à sua versão – e aparentemente da forma correta. O vereador elaborou um projeto de lei que será encaminhado amanhã, terça-feira (29), para as comissões competentes da Câmara de Sinop. A matéria modifica a lei 004/2001 (aquela famosa que garantiu que nenhum bairro novo fosse aberto em Sinop sem asfalto). Hedvaldo reaproveitou a fórmula já seguida por outros vereadores, que ao longo dos anos foram “aditivando” essa lei. Já acrescentaram às obrigações dos loteadores a rede de esgoto, arborização, sinalização de trânsito e, agora, a pintura dos postes.

O projeto de lei complementar 003/2019 apresentado por Hedvaldo acrescenta um 11º inciso no artigo 21 da lei 004/2001. É simples e eficaz como a pintura dos postes. Com esse projeto, os loteadores “ficam obrigados a fazer a pintura do nome das ruas e avenidas nos postes de iluminação pública mais próximos dos cruzamentos das vias, nos padrões definidos pelo órgão competente”.

Pronto! O ladrão de projeto se redimiu. Deixou de ser o falso pioneiro na pintura dos postes e passou a ser o político que transformou essa ação aprovada pela população em lei. Como um vereador não pode criar despesas para o poder público, a forma que o vereador encontrou de contornar a sua limitação foi jogando a responsabilidade para a iniciativa privada. Mas sejamos francos: qual é o impacto de dois galões de tinta e 3 diárias de um pintor para quem está abrindo um loteamento com toda infraestrutura? Muito pouco.

Já o resultado para população é instantâneo. O novo bairro já começa com ruas identificadas. Facilita a vida do pedreiro que vai construir, do cara que vai fazer a entrega de material para construção e de qualquer outro motoboy carregado de lanche. Quem está no local esperando também fica mais contente em receber sua encomenda rápido. Em suma, funciona.

E o bom dessa nova lei proposta por Hedvaldo é que, embora a prefeitura já faça a pintura de identificação dos logradouros, ela não costuma ser tão rápida. Muitos bairros novos não possuem qualquer identificação – e são tão recentes que ainda não estão no GPS. Procurar um endereço específico é algo difícil.

Mandou bem vereador. Conseguiu corrigir sua fala e aprimorar o que já estava funcionando bem.

Jamerson Miléski

O Observador

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