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Com saúde não se brinca

GC Notícias | 26/12/2016 12:52

A prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, assume o comando da 4ª maior cidade de Mato Grosso dentro de 8 dias. E até agora não há uma confirmação de quem irá cuidar de um dos serviços públicos mais importantes para o cidadão: a saúde.

Todos os outros secretários que irão compor a equipe de Rosana já foram anunciados com certa antecedência – o que é necessário para que esses gestores tomem conhecimento dos processos, afim de que o serviço público não pare com a transição. Aliás, cabe dizer que a prefeita foi competente em suas escolhas até aqui. Ao contrário do que muitos difamavam durante o período eleitoral, Rosana não “loteou” a prefeitura. A distribuição dos cargos não foi feita de modo a pagar as contas de campanha (de apoio ou financeiras). Quem esperava uma equipe decorativa, com penduricalhos políticos, quebrou a cara. O secretariado de Rosana até agora é coeso. Talvez a nomeação do presidente da Câmara que não alcançou a reeleição, Mauro Garcia, para a secretaria de Trânsito, seja questionável. Mas vale lembrar que Mauro chegou a ser sondado para ser o vice da prefeita eleita. Logo, pode ser uma nomeação “partidária” mas não figurativa.

Rosana manteve alguns cernes da gestão Juarez Costa, da qual fez parte. Acertadamente segurou o secretario de Obras, Marcos Lopes, talvez a pessoa com maior aprovação dentro da atual equipe. Com a permanência de Marcos, a máquina da secretaria não para. Assim foi com Anna Dias na Administração, Letícia Vieira na Cultura. Rosana sabe que a gestão de Juarez é boa, tanto que foram os acertos do prefeito o seu principal mote de campanha. Então qual é a dúvida que paira na secretaria de Saúde?

Poucos secretários possuem tanto conhecimento técnico, específico da pasta que ocupam, quanto Manoelito Rodrigues. Servidor de carreira do Estado, enfermeiro de formação e ex-diretor do Pólo Regional de Saúde, Manoelito é um perito nos processos que envolvem a saúde pública. Além de conhecer os procedimentos, é uma pessoa pró-ativa. Ao invés de se esconder atrás das burocracias da vida pública (como fazem muitos servidores), Manoelito faz. Basta lembrar que foi ele quem abriu as portas do Hospital Regional de Sinop, quando foi nomeado interventor, no final de 2014. Em 3 meses ele pôs a estrutura para funcionar enquanto a “Santa” Fundação ficou 2 anos enrolando.

Seu despenho foi percebido por Juarez, que imediatamente captou Manoelito para sua gestão a partir do momento que o “sábio” Governo Taques o dispensou do Hospital – que hoje opera com as portas fechadas, atendendo apenas pacientes regulados por outras unidades.

Manoelito assumiu a secretaria de Saúde de Sinop em março de 2015, ocupando o lugar do médico e vereador, Francisco Specian Junior – outro nome respeitado dentro da saúde de Sinop. Em um ano e 8 meses ele promoveu a abertura de 10 novas unidades de saúde, abriu o novo Centro de Especialidades Médicas, passou a gestão da UPA para uma Oscip (economia de R$ 300 mil/mês), implantou o Protocolo de Enfermangem no município, o regulamento da Sala de Vacinas, a Comissão integrada de Ensino e Serviço, o regulamento das Aulas Práticas e a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica, além de promover a reformulação do Conselho Municipal de Saúde, antes com 9 membros e hoje composto por 32 entidades do município. Manoelito colocou, tecnicamente, a saúde para funcionar e hoje Sinop recebe mais volume de repasses do Ministério da Saúde, graças ao seu trabalho.

Uma característica do atual secretário, que talvez poucos conheçam, é a sua tenacidade frente as divergências que ocorrem na saúde de Sinop. Algumas estruturas não atendem como deveriam. Outras maquiam os atendimentos, fazendo menos do que devem para o cidadão. Assim como existem excelentes profissionais na saúde, também existem aqueles que exploram, desviam e fazem de conta que trabalham. Tanto dentro da secretaria de Saúde de Sinop, como fora, nas demais estruturas que compõem o SUS. O perfil de Manoelito, o seu normal, é bater de frente contra esses malfeitos. Talvez por isso colecione alguns inimigos. Talvez sejam essas pessoas que estejam fazendo campanha para que Rosana não o escolha.

Se for esse o caso, ai então é que Rosana precisa manter Manoelito. Chegará um momento que Sinop precisará de um secretário de perfil diplomata, conciliador, capaz de orquestrar um bom relacionamento com todas as entidades, repartições e pessoas que fazem a saúde no município. Mas esse momento não é agora! Há muita coisa errada. Interesses pessoais e financeiros, disputas de territórios e outras tantas mazelas ainda permeiam a saúde de Sinop. Nesse momento, o que a cidade precisa é um secretário com pulso e conhecimento para bater de frente, desinfetar os espúrios que se escondem nos leitos e nas salas de cirurgia. Infelizmente, poucas pessoas estão dispostas a agir dessa forma.

Além de perder um bom secretário, a troca de Manoelito faria a saúde de Sinop desacelerar (e talvez até parar), por um período. A sucessão não planejada de Pedro Taques, por exemplo, fez o Estado parar por 100 dias – prazo que ele pediu para colocar a casa em ordem. Os 100 dias passaram e até hoje eu não sinto muita diferença, afinal, já está no terceiro secretário de saúde e há rumores que já está encaminhando para o quarto, isso tudo em menos de dois anos de governo. O resultado disso é o que se vê: hospitais em greve por falta de pagamento, leitos vazios e UTI sem receber paciente além da total desestrutura da área técnica, ninguém aceita assumir responsabilidade e o navio naufraga na praia. Por fim, se a saúde de Sinop parar hoje por 100 dias, com o Hospital Regional de portas fechadas, o Hospital Santo Antônio encolhendo porque o Estado não paga em dia e a UPA transbordando de gente porque é a única porta aberta para o povo, o que vai acontecer? O que vai acontecer se tivermos que esperar o novo secretário “tomar pé” da situação?

Nesse momento, é arriscado demais pensar em mexer na secretaria de Saúde de Sinop. É difícil entender qual é a dúvida que Rosana tem com relação a isso.