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Etanol deixa de ser vantajoso em MT

GC Notícias | 08/11/2016 09:48

Até o final de outubro, Mato Grosso era o único do país onde valia à pena o etanol hidratado.

O preço de bomba do litro do etanol em Mato Grosso deixou ser competitivo para os consumidores em relação à gasolina. Para quem leva em conta apenas a viabilidade econômica, a vantagem que havia sobre o derivado da cana se perdeu, já que o preço médio em adoção no Estado fechou a primeira semana de novembro valendo mais que 70% do valor do derivado de petróleo. A relação é favorável ao biocombustível quando está abaixo de 70% e considerando os valores atuais, o teto ultrapassou a 70,5%.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referentes à semana de 30 de outubro a 5 de novembro, o preço médio do etanol no Estado foi de R$ 2,61 e o da gasolina, R$ 3,70. Nas últimas quatro semanas, o valor médio de bomba para o biocombustível nos postos do Estado foi de R$ 2,46 para R$ 2,61, alta acumulada de 6,09%. Já a gasolina, passou de R$ 3,71 para R$ 3,70.

Ainda conforme os dados da ANP, o etanol vinha durante o primeiro semestre o combustível foi o mais demandado nas revendas mato-grossenses, no entanto, na medida em que os preços começam a elevar, reduzindo a margem de competitividade ante à gasolina, há migração na hora de abastecer. Até setembro foram comercializados 444,76 milhões de litros de etanol contra 454,53 milhões de litros de gasolina. Na relação anual, o biocombustível apresenta queda na demanda de 11%.

Nessa primeira semana de novembro, enquanto o preço médio ao etanol apurado pela ANP foi de R$ 2,61, o mínimo foi de R$ 2,29 em Cuiabá e o máximo de R$ 2,95, em Alta Floresta (800 quilômetros ao norte da Capital).

 

Reta final

De acordo com informações do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool), a colheita e a moagem da cana-de-açúcar irão até o final deste mês. Assim que a safra estiver concluída, o milho passa a ser a matéria-prima de três usinas no Estado que seguirão com a produção do etanol.

O diretor executivo da entidade, Jorge dos Santos, explica que nas últimas semanas houve uma recomposição de preços na usina, como forma de minimizar a alta de custos trazida pelo início antecipado do regime de chuvas no Estado. “Com as precipitações não é possível colher e as indústrias ficam operando de forma descontinuada, ou seja, dia sim, dia não”. Mesmo com os impactos climáticos, Santos explica que o litro do etanol com impostos incluídos, encerrou o mês de outubro saindo das usinas a uma média de R$ 2,05 e de lá para cá não houve mais ajustes.

Sobre a competitividade do biocombustível, Santos explica que o teto de vantagem entre etanol e gasolina foi estabelecido em 70% quando os primeiros modelos de carros flex vieram ao mercado, por volta de 2003. “Mais de uma década se passou e os carros mais novos têm competitividade de até 85%. Por isso, o consumidor deve fazer a sua média para descobrir qual é a sua realidade e o combustível mais rentável”. Ainda conforme ele, com um teto de 85%, o etanol segue vantajoso e, além disso, reduz em 80% a emissão de poluentes na atmosfera. Ainda como pontua o executivo do Sindálcool, vale à pena prestar atenção aos preços de bomba afixados pelos postos, pois ainda é possível encontrar o litro a valores que assegurem a competitividade mesmo diante do teto máximo de 70%.

 

Mais barato

 Mesmo com a alta, o etanol comercializado em Mato Grosso encerrou mais uma semana como o mais barato do Brasil, conforme a ANP. Em São Paulo, onde o etanol equivale a 76,07% do valor da gasolina, o produto ficou cotado, em média, a R$ 2,67 por litro.

Os preços do etanol hidratado nos postos subiram em 19 Estados e no Distrito Federal na semana encerrada no sábado, 5, caíram em outros seis Estados e não variaram no Amapá. No período de um mês, o biocombustível só registrou queda no preço em quatro Estados: Alagoas, Ceará, Paraíba e Rondônia.

Em São Paulo, principal Estado produtor e consumidor, a cotação avançou 1,94% na semana, de R$ 2,62 o litro para R$ 2,67. No período de um mês acumula alta de 11,93% - São Paulo foi o Estado onde o combustível subiu mais em 30 dias. Na semana, os preços subiram mais em Mato Grosso (4,18%), enquanto o maior recuo ocorreu em Alagoas (1,94%). A maior queda mensal ocorreu no Ceará (2,42%).

Fonte: Diário de Cuiabá