Boa tarde, Quarta Feira 13 de Novembro de 2019

Educação

Prefeitura vai equipar escolas públicas com mesas digitais

Dispositivos tecnológicos interativos serão utilizados com alunos que precisam de reforço para alfabetização

Sinop | 30 de Outubro de 2019 as 16h 53min
Fonte: Jamerson Miléski

Uma quantidade significativa de alunos das escolas municipais de Sinop chegava ao final do 3º ano sem estar alfabetizado. Quando detectou o déficit, a secretaria de Educação do município começou a desenvolver uma estratégia para “acelerar” aqueles alunos que não estavam indo tão bem.

Inspirada no Programa “Se Liga e Acelera”, do Instituto Ayrton Senna, a gestão da prefeita Rosana Martinelli (PL), criou o projeto “Unidocência”. A ideia era simples: criar um tempo extra de estudo, para que professores e alunos com dificuldade de aprendizagem revisitassem as matérias.

O projeto começou bem. Desde o ano passado, professores do 1º ao 3º ano – fase crucial da alfabetização – tem entre 5 à 7h extras por semana, devidamente remuneradas, para aplicar o “reforço”. Os alunos tem essas atividades no contraturno, com o mesmo professor titular. Ou seja, o aluno que frequenta a escola de manhã, faz o reforço na parte da tarde, com o mesmo professor – afim de otimizar o vínculo já existente entre mestre e aprendiz. A cada bimestre, uma avaliação é feita com os alunos para medir o desempenho e corrigir os rumos do reforço escolar.

“No segundo trimestre de 2019 detectamos que 70% dos nossos alunos do 3º ano já estavam alfabetizados”, revelou a secretária de Educação, Veridiana Paganotti. Embora o indicador mostre que o programa está funcionando, algumas falhas no método foram detectadas. “Acabamos percebendo que falta ferramenta para o professor aplicar o reforço. Falta algo que atraia o aluno, que estimule o aprendizado de outra forma. Em alguns casos o reforço acaba sendo uma aula a mais, com o mesmo professor, do mesmo jeito e, provavelmente, com o mesmo resultado”, explicou a secretária.

Para que o reforço não seja apenas mais uma aula chata no contraturno do aluno que está tentando aprender a ler e escrever, a secretaria de Educação está se municiando de tecnologia. A prefeitura de Sinop lançou nesta terça-feira (28), uma licitação para a compra de 100 mesas digitais. Esses gadgets que estão atualizando as metodologias de ensino – aproximando os professores da nova realidade dessa geração de alunos – funcionam como um “tablet gigante”. Essas telas de alta resolução, acopladas a um computador, respondem toque, assim como um smarthfone. Sua operação é intuitiva para o professor e, para o aluno, um recurso muito mais atrativo que um livro.

O equipamento que a prefeitura está adquirindo vem “carregado” com aplicativos educacionais, pedagógicos e de acessibilidade, desenvolvidos especialmente para promover o aprendizado a partir da interatividade com a tecnologia. “É uma linguagem que conversa melhor com essa geração, um recurso cativante, que desafia o aluno a aprender. As mesas digitais ajudarão os professores a estimular aquele aluno que acabou ficando para trás no aprendizado com o método convencional, na sala de aula”, aponta Veridiana.

As mesas digitais não são baratas. No Pregão Eletrônico 061/2019, lançado pela prefeitura de Sinop, o preço teto foi fixado em R$ 12,2 mil cada – o que implica em um investimento na casa de R$ 1,2 milhão para a aquisição de 100 unidades. A disputa na licitação pode derrubar o preço, mas os valores praticados pelo mercado não estão muito abaixo disso.

Segundo Veridiana, a estratégia da secretaria é de que cada uma das 39 escolas conte com pelo menos 2 mesas digitais. Elas serão instaladas nas salas de reforço escolar e nas salas de Aprendizagem Especial – para alunos com algum tipo de limitação sensorial ou cognitiva. “Com esses dispositivos os professores terão mais recursos para desenvolver a aprendizagem, corrigir a defasagem no processo de alfabetização ou otimizar aqueles alunos que tem um desempenho acima da média”, completa Veridiana. O propósito por trás de dar “aulas extras” para alunos com baixa proeficiência é elevar o nível geral da turma, para que alunos com alta proeficiência não sejam “passageiros” de uma sala de aula com conteúdo nivelado por baixo.

A licitação será aberta no dia 12 de novembro. A expectativa é de que as mesas estejam instaladas e prontas para o uso no início do ano letivo de 2020.

COMENTARIOS