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Após ser absolvido, ex-delegado acusado de matar missionário espanhol em 1987 passa por novo júri popular

GC Notícias | 29/11/2017 16:11
O missionário jesuíta Vicente Cañas
(Foto: Arquivo Cimi/Divulgação)
O missionário jesuíta Vicente Cañas

Vicente Cañas vivia com índios Enawenê Nawê em Juína quando foi morto

Acusado de matar o missionário espanhol Vicente Cañas em 1987, o delegado aposentado Ronaldo Antônio Osmar deve passar por um novo júri popular depois de ser absolvido do crime em 2006. À época, Ronaldo foi considerado inocente por seis votos a um. Em 2015, entretanto, após recurso do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça determinou o segundo julgamento que acontece nesta quarta-feira (29).

Vicente Cañas, missionário jesuíta, vivia com os índios Enawenê Nawê quando foi morto, em abril de 1987, aos 46 anos de idade. O corpo do missionário foi encontrado em avançado estado de decomposição no dia 16 de maio, à beira do Rio Juína, a 601 km de Sinop.

À época, a perícia apontou sinais de violência na habitação em que o jesuíta morava e sinais de golpes de porrete e de uma peixeira no corpo dele.

Na época do crime, a investigação apontou uma trama entre o delegado aposentado e os fazendeiros da região, que tinham interesse nas terras indígenas. Vicente lutava contra as invasões. As provas de acusação apontaram que o acusado acordou a morte do missionário com oito homens.

O delegado, que na ocasião comanda a Polícia Civil de Juína assumiu a investigação do assassinato. O inquérito chegou a apontar a responsabilidade da morte do missionário aos indígenas.

O missionário tinha dez anos de convivência com os índios quando foi morto. Era considerado um deles e tinha o nome indígena de Kwixi.

Em 2006, o acusado foi julgado e considerado inocente. A Justiça, no entanto, indicou a invalidade do primeiro julgamento por não considerar provas substanciais apuradas durante o processo. Ronaldo responde por homidício duplamente qualificado.

Fonte: G1 MT