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Empresa contratada para construir escola em Sinop entra em recuperação judicial

GC Notícias | 11/10/2018 09:47

Construtora Geotop foi contratada para construir a Escola Estadual Cleufa Hubner

Depois de paralisar a obra por diversas vezes, dispensar funcionários e acumular ações trabalhistas por atraso nos salários, a Construtora Geotop declarou situação falimentar e entrou com o pedido de recuperação judicial. A empresa foi contratada pelo Governo do Estado para construir a nova sede da Escola Estadual Cleufa Hubner, em Sinop – obra que iniciou no ano de 2011 e que ainda está longe de ser concluída.

Envolvida em investigações judiciais a Geotop declara ter uma dívida de R$ 1,5 milhão. A empresa de Cuiabá atribui sua crise financeira ao “aumento dos custos de produção” e a falta de mão de obra qualificada.

O pedido de recuperação judicial foi autorizado pela juíza da 1ª Vara Cível de Cuiabá, Anglizey Solivan de Oliveira. No pedido de recuperação, a Geotop narra que já chegou a ter “80 colaboradores” nos tempos de “maior produção”, citando que já realizou obras no município de Cuiabá, para o Estado de Mato Grosso, além do Governo Federal. “Narra a requerente que a forte carga tributária, aliada às dificuldades encontradas nos últimos anos, como a falta de mão de obra especializada, aumento dos custos da produção e falta de produtos, obrigou a empresa a buscar empréstimos junto às instituições financeiras para dar continuidade às obras em andamento e assim poder honrar com seus compromissos contratuais, mesmo que para tanto tenha assumido prejuízos, a fim de a não afetar a qualidade de suas obras”, diz trecho dos autos.

A juíza da 1ª Vara Cível nomeou a advogada Fabianie Martins Mattos Limoeiro como administradora judicial – que entre outras funções deve apresentar relatórios periódicos ao juízo sobre o andamento do processo, bem como convocar a assembleia geral de credores. Ele receberá R$ 60 mil pelo serviço, divido em 30 parcelas de R$ 2 mil cada.

Os maiores credores da Geotop são o Banco Sicoob (R$ 471 mil) e a Caterpilar Brasil Ltda (R$ 260 mil). A empresa tem 60 dias para apresentar seu plano de recuperação e a estimativa de tempo necessária para pagar seus credores.

O plano de recuperação judicial deverá ser apreciado em até 150 dias pelos credores numa assembleia geral, que poderão aceitá-lo, rejeitá-lo ou modificá-lo. Caso as partes não cheguem a um acordo, o juiz decreta a falência da empresa, restabelecendo aos cobradores das dívidas o direito de pleitear pelos seus débitos, inclusive na justiça, uma vez que a recuperação judicial suspende por 180 dias esta possibilidade.

A lista de credores conta com 3 empresas de Sinop.

 

Geotop e as denúncias de fraude

O proprietário da Geotop Construções é o empresário Eder Alberto Francisco Meciano. Ele compareceu voluntariamente no gabinete do promotor de justiça Celio Joubert Furio, entre outubro e novembro de 2015, para denunciar fraudes em processos licitatórios na Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) que, segundo ele, totalizavam R$ 20 milhões.

Meciano disse ter recebido um bilhete de Fábio Frigeri – ex-servidor da Seduc-MT, e apontado como um dos operadores do esquema -, dizendo que se quisesse receber pelos serviços prestados ao Governo do Estado teria que conversar com o empresário Giovani Guizardi, proprietário da empresa Dínamo, e responsável por “arrecadar” em torno de 5% dos pagamentos feitos pelo Poder Executivo estadual a empresários como “propina”.

O empresário também foi citado numa conversa telefônica interceptada entre Frigeri e o ex-Secretário da Seduc-MT, Permínio Pinto, que também é réu no esquema. De acordo com as investigações, eles comentaram sobre supostos valores que Eder Meciano tinha a receber.

A empresa também foi citada na operação Rêmora, deflagrada em maio de 2016 pelo Gaeco para apurar um esquema de empresários que em troca de informações privilegiadas sobre licitações na Secretaria de Educação pagavam propinas a servidores públicos e ao próprio Secretário da pasta a época, Permínio Pinto. Mesmo após a realização e medições das obras, os proprietários destas organizações também precisavam repassar propina para receber pelos pagamentos.

Fonte: Jamerson Miléski