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Ex-secretário tinha poder e influência em governo para manter contrato fraudulento, diz primo de governador

GC Notícias | 10/05/2018 14:01
(Foto: Lucas Ninno/Gecom-MT)

Empresário pediu ajuda de irmão de Paulo Taques

Em uma ligação via WhatsApp com o empresário e sócio da EIG Mercados Ltda (antiga FDL), José Ferreira Gonçalves Neto, o advogado Pedro Jorge Zamar Taques, que é primo do governador Pedro Taques (PSDB), confirmou que o irmão dele e ex-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, ainda tem influência na atual gestão, mesmo não ocupando mais cargo público no Executivo.

Os três foram alvos da Operação Bônus, deflagrada na quarta-feira (9) em continuidade à Operação Bereré, que investiga suspeita de fraudes e desvio de verba do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), segundo o Ministério Público Estadual (MP-MT), em Cuiabá.

A transcrição da conversa gravada consta no pedido de prisão preventiva feito pelo MP e deferido pelo desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), no último dia 8.

Na conversa, Pedro Jorge Taques expõe a suposta e atual influência do irmão dele no governo para manter o contrato da empresa EIG com o Detran, mesmo após ter deixado o cargo ocupado no primeiro escalão.

A afirmação é feita por Pedro após o empresário alegar estar "desesperado" com a possibilidade de fim do acordo que existia com o governo.

O advogado afirma que Paulo Taques deve obedecer a algumas restrições e "pisar em ovos", após ter sido investigado no esquema de interceptações ilegais que foi operado pela Polícia Militar entre os anos de 2014 e 2015, mas que irá conversar com o irmão para ver o que ele poderia fazer

Participação no esquema

Paulo e Pedro Jorge Taques estão entre os presos na quarta-feira (9) por determinação do desembargador José Zuquim Nogueira, durante a operação Bônus, por supostamente tentarem obstruir as investigações acerca do esquema de desvio no Detran.

Na decisão que manda prendê-los, o desembargador afirma que Paulo Taques mediou a manutenção do contrato entre a empresa usada na fraude e o governo.

Segundo consta na decisão, o ex-secretário teria recebido R$ 2,6 milhões em propina, sendo uma de R$ 1,4 milhão e outra de R$ 1,6 milhão.

Operação Bônus

A operação Bônus é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

A primeira fase da Operação Bereré aconteceu em fevereiro deste anoe investigava um esquema que desviou dinheiro do Detran, com o apoio de políticos, por meio de empresas de fachada.

Em nota, o governo diz que o contrato com a empresa EIG Mercados Ltda (antiga FDL), por meio da qual teriam sido desviados recursos públicos do Detran, foi rompido após a primeira fase da operação, em fevereiro, e que "tomou todas as medidas administrativas necessárias para evitar prejuízo ao erário".

 

Fonte: G1 MT