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Jabuti com casco de plástico recebe pintura realística

Artista reproduziu os traços de um casco de jabuti na prótese projetada em 3D

Ciência | 17 de Março de 2016 as 11h 33min
Fonte: Jamerson Miléski

A jabuti fêmea que ficou nacionalmente conhecida acaba de receber mais um upgrade. Fred, a jabuti que recebeu uma prótese de plástico para substituir o seu casco, agora volta a usar as cores que a natureza lhe deu. Bom, pelo menos da forma mais próxima que a mão humana pode reproduzir.

O casco projetado através de um programa de computador e materializado com uma impressora 3D, utilizando um plástico feito a base de milho, tinha as dimensões perfeitas para garantir a mobilidade e a proteção para Fred. Funcionalmente perfeito, mas visualmente parecia um jabuti albino. O casco não havia recebido pigmentação. Era branco, dando para Fred um aspecto de “tartaruga de plástico”.

Depois de receber a ajuda da turma das exatas e da medicina, Fred encontrou mais um amigo de “humanas”. O artista Yuri Caldera, de Brasília, se ofereceu para dar uma roupa nova a jabuti fêmea. Ele reproduziu as cores e desenhos peculiares dos cascos desse tipo de quelônio. O resultado foi um casco que, visualmente, parece ser de um jabuti de verdade.

O designer 3D de Sinop, Cícero Moraes, que projetou a prótese, explica que o casco é desmontável, dividido em 4 partes que se encaixam. As peças foram removidas do animal e então pintadas. O passo a passo do “projeto Fred” e resultado final pode ser visto nas fotos.

Fred perdeu o seu casco em um incêndio florestal. Hoje ele vive no Distrito Federal, na casa do veterinário Rodrigo Rabello, que participou do processo de implantação da prótese.

Segundo a equipe responsável, o procedimento é inédito no mundo e usou um polímero derivado do milho, de baixo custo. Um quilo desse material custa R$ 136 – mais barato que os materiais convencionais. A impressora 3D utilizada foi fabricada no Brasil, também de baixo custo. A peça foi projetada em um software livre, que pode ser baixado de graça. O casco de Fred é o resultado de uma ciência eficaz, barata e acessível.

O nome Fred surgiu em "homenagem" ao personagem Freddy Kruger, dos filmes de terror. Segundo Rabello, o aspecto de desgaste do casco queimado tinha semelhança com o rosto deformado do vilão dos filmes "A hora do pesadelo".

 

Jabuti casca grossa

Há um ano, a jabuti foi vítima de um incêndio florestal próximo ao setor Altiplano Leste. O animal chegou às mãos de Rabello muito debilitado. O veterinário cogitou sacrificar o bicho. "Um quadro bastante crítico, praticamente em óbito, mal se movia. Um quadro gravíssimo", disse.

Enquanto recebia os primeiros cuidados, Fred teve duas pneumonias e ficou sem comer por 45 dias, mas resistiu e se recuperou. Mesmo com o novo casco, a jabuti não tem condições de voltar ao cerrado porque ainda precisa de cuidados. A carapaça será alvo de novos estudos para avaliar a resistência a médio e longo prazo.

A história de Fred foi contada pelo Fantástico – noticiário de domingo da Rede Globo. Depois da reportagem, artistas de todo o Brasil se ofereceram para pintar o casco de Fred. Durante todo esse período foi estudado o tipo apropriado de tinta, que não desgastasse a carapaça e não causasse danos à saúde da jabuti. Deu certo. Agora Fred desfila ostentando as mesmas cores que tinha antes de ver a sua vida por um fio.

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