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Mato Grosso tem quase 900 pacientes na fila de cirurgias cardíacas

SUS oferece apenas 20 vagas ao mês em todo o Estado

Mato Grosso | 10 de Setembro de 2019 as 14h 46min
Fonte: Dantielle Venturini/Gazeta Digital

Foto: Agência Brasil

Com apenas 20 vagas ofertadas ao mês para cirurgias cardiológicas, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e uma fila de quase 900 pacientes, entre eletivos e urgentes, a espera por alguns procedimentos pode chegar a 6 meses em Mato Grosso. Dados da Central de Regulação em Cuiabá indicam que hoje são 772 pacientes aguardando na fila de eletivos e mais 122 na fila de urgência e emergência no Estado.

Atualmente, apenas o Hospital Geral realiza os procedimentos em adultos pelo SUS. Outras unidades que poderiam contribuir para zerar essa demanda não têm nem mesmo previsão para oferecer a especialidade.

A abertura dos serviços especializados no Hospital Municipal São Benedito, por exemplo, não avança e mesmo com promessas de oferecer atendimento na área de cardiológica desde sua inauguração, há 4 anos, até hoje a unidade não está habilitada.

Hospital Estadual Santa Casa, que reabriu as portas há pouco mais de um mês, também com a promessa de ofertar atendimentos nesta área, também não teve os serviços credenciados até agora. Hospital Santa Helena e a Amecor deixaram de realizar os procedimentos pelo SUS há algum tempo e não demonstram interesse em retomá-los.

Com essa realidade e na tentativa de reduzir a fila de espera por essas cirurgias, o Hospital Geral tem realizado mutirões porém, a presidente da unidade, a médica Flávia Silvestre, afirma que a única forma de conseguir atender todos os pacientes de forma rápida, como é necessário, é apenas com a habilitação de novas unidades em Cuiabá e em todo Estado. Em 2017 tínhamos 5 hospitais credenciados mas agora só temos nós para atender ao Estado todo e a Femina para atender a demanda infantil. É impossível dar conta de todos pacientes com a rapidez em que deveria ser.

A médica explica que o serviço contratualizado é de 20 cirurgias ao mês mas, muitas vezes, justamente por causa da demanda alta, esse número chega a ser maior dependendo dos casos novos de urgência e emergência a serem atendidos. Chega vezes em que realizamos 22, 24 ao mês.

Ela esclarece que esses procedimentos cardiológicos possuem um protocolo a ser seguido e, por isso, a liberação das vagas para que novas pessoas sejam chamadas varia o que impacta no tempo de espera na fila.

Quando chamado pelo hospital, em média, o paciente fica 15 dias na unidade entre a realização de exames, da cirurgia e alta médica. Para cada cirurgia realizada é necessário que uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) esteja liberada. Tudo isso torna o trâmite da fila mais lento pois temos pacientes que um dia após a cirurgia estão muito bem, outros levam mais dias para a recuperação, e enquanto não tem UTI não podemos realizar outras cirurgias.

Coordenadora da Central de Regulação em Cuiabá, Elaine Aparecida Alves Souza explica que a situação dos pacientes em fila é momentânea já que o ideal é que não haja fila nesse tipo de especialidade e novas habilitações devem surgir. A coordenadora explica que antes do fechamento de alguns leitos, como da Santa Casa e do Santa Helena, praticamente não havia fila nessa especialidade. Segundo ela, com a promessa das aberturas de leitos do novo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) até o fim de setembro, grande parte dessa demanda será atendida.

Outra expectativa era o Hospital São Benedito, já que unidade foi inaugurada como referência para as cirurgias de média e alta complexidade como ortopédicas, neurológicas, cardiológicas, cirurgia bariátrica. Mas, segundo a Prefeitura de Cuiabá, não há previsão para isso. Com a abertura do hospital em 2015 a promessa era aumentar em 20% a oferta desses serviços na rede de saúde pública da capital. Os 30 leitos de UTI, seriam divididos entre cirurgias ortopédicas, neurológicas e cardiológicas. Para a aquisição de equipamentos, o Ministério da Saúde destinou R$ 9,9 milhões. Mas até hoje, nenhum cirurgia cardiológica foi realizada na unidade.

Enquanto a oferta de leitos não avança, a coordenadora da Central de Regulação explica que algumas estratégias são adotadas em parceria com HG como, por exemplo, os mutirões. Um plano de saúde também está sendo montado para os pacientes do Pronto-Socorro. A maior demanda dos serviços atualmente é da Capital, mas outras cidades do Estado, assim como Várzea Grande, também fazem parte da lista de pacientes. Um dos procedimentos mais aguardados é a angioplastia que, em média, pode demorar até 6 meses.

Apesar da demora para alguns procedimentos para pacientes eletivos, ela esclarece que todos tem sido atendidos. Em relação aos casos de urgência e emergência, afirma também que têm sido prioridade, como é o caso do idoso Mauro Andrade, 61. Após sofrer um infarto, ele aguardava há mais de 15 dias por uma cirurgia de urgência. Essa semana ele foi internado para a realização do procedimento.

De acordo com Souza, a preferência das vagas é justamente para os pacientes que estão com risco de morte e internados mas sem deixar de atender os eletivos. Temos uma dinâmica na fila, uma equipe de médicos daqui da central que também avalia as indicações clínicas de cada paciente.

Outro Lado

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que apenas cofinancia os serviços cardiológicos. Informou ainda que, em nível estadual, as unidades que comprovam atendimento e recebem o cofinanciamento pela prestação de serviços cardiológicos são o Hospital Geral, em Cuiabá, Hospital Santa Casa de Rondonópolis e Hospital Infantil e Maternidade Femina, que presta atendimento apenas para crianças, também em Cuiabá. A pasta ainda reforçou que a atual gestão vem trabalhando, junto ao Ministério da Saúde, para habilitar a cardiologia no Hospital Estadual Santa Casa.

A respeito do Hospital São Benedito, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a unidade não é credenciada para os serviços de cardiologia. Afirma que a atual gestão está trabalhando para credenciar o serviço no Hospital Municipal de Cuiabá uma vez que lá haverá uma UTI coronariana, composta por 10 leitos.

 

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