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Radar de teste registra 68 mil veículos e 13 mil levariam multa

Dados colhidos pelo equipamento mostram que o motorista de Sinop tirou o pé do acelerador

Sinop | 12 de Fevereiro de 2019 as 15h 51min
Fonte: Jamerson Miléski

Se o radar de teste instalado na Avenida das Saudades, próximo ao cemitério de Sinop, fosse “pra valer”, hoje a secretaria de trânsito estaria processando 13,6 mil multas por excesso de velocidade. Com a multa por esse tipo de infração varia de R$ 130,00 a R$ 880,00, dependendo da pressa do condutor, o primeiro impacto no bolso dos motoristas acelerados seria de aproximadamente R$ 2,7 milhões.

Os números foram revelados pelo ex-secretário de Trânsito de Sinop, temporariamente no cargo de vereador, Mauro Garcia (MDB). Em sua primeira sessão, ontem segunda-feira (11), ele defendeu a instalação do pacote de trânsito, que visa a instalação de 107 dispositivos para monitorar o comportamento dos condutores.

Mauro apresentou números de um dos 3 equipamentos, instalados como teste. Em dezembro do ano passado, a empresa Serget Mobilidade Viária Ltda, que apresentou a melhor proposta na licitação, instalou 3 equipamentos de medição, como parte do processo de habilitação. Um deles foi um radar de velocidade na Avenida Dom Henrique Fröelich, mais conhecida como Avenida das Saudades.

Segundo Mauro, em um período de 7 dias, 68 mil veículos foram registrados por esse equipamento – o que mostra o grande fluxo da via, com uma média de 9,7 mil veículos por dia. Conforme o ex-secretário, nos primeiros 2 dias de operação, o radar experimental registrou 60% dos veículos acima da velocidade da via, que é de 50km por hora. Ou seja, mais da metade dos veículos não respeitava o limite. “Mesmo sem placa informando a existência do radar, mesmo sendo um equipamento de teste, sem qualquer ameaça de multa, o número de veículos acima do limite de velocidade baixou ao longo da semana, pelo simples fato do radar estar lá. No final dos 7 dias, a média de condutores que ultrapassaram o limite de velocidade foi de 20%”, revelou Mauro.

Isso significa que a cada 5 veículos, um seria multado por excesso de velocidade.

 

Indústria da multa ou da morte?

Desde que a prefeitura deflagrou o processo licitatório para locar os equipamentos de monitoramento trânsito – pelo valor de R$ 8,3 milhões em 24 meses – a Câmara tratou o projeto classificando-o como “fábrica de multas”. Mauro atacou o termo.

Na posição de vereador, ele disse que a frota de Sinop tem mais de 116 mil veículos e que possui a maior taxa de mortalidade no trânsito entre os municípios de Mato Grosso. Foram 67 óbitos em 2018. “Sinop tem uma média de 270 pessoas acidentadas por mês. É gente indo para UPA, ficando internada no Hospital, aleijada, morrendo. O objetivo desse projeto de monitoramento do trânsito é que as pessoas parem de se matar no trânsito”, alertou Mauro.

Para o ex-secretário de trânsito, basta a população sinopense não violar o limite de velocidade, não dirigir falando ao celular e não furar o sinal vermelho, que não será multada. “Todos os pontos de monitoramento eletrônico terão placas, informando os condutores. Nos primeiros 30 dias, quem for pego acima da velocidade, ou violando uma lei de trânsito, será notificado pela prefeitura e não terá multa. As infrações só começarão a valer depois desse período. Considerando tudo isso, dá para falar que é uma fábrica de multas?”, indaga.

Além dos radares para controlar o limite de velocidade, o pacote de equipamentos pretendido pela prefeitura conta com 20 câmeras de monitoramento do trânsito. Ligadas a um software, as câmeras permitirão identificar, em 3 segundos, um veículo roubado assim que ele for pego pelas lentes. Para o desagrado dos condutores pouco disciplinados, será com essa mesma velocidade que o programa identificará motoristas sem cinto de segurança ou falando ao celular. “O equipamento eletrônico tira a mão do agente de trânsito do processo. Ele gera imagens, que provam ou inocentam os condutores. Não há fábrica de multa. É rigor na aplicação das normas de trânsito”, fecha Mauro.

O processo de licitação para instalação desse pacote tecnológico para o trânsito ainda precisa ser finalizado pela prefeita Rosana Martinelli (PR). Até ontem, segunda-feira, o processo havia sido paralisado pela justiça, que em segunda instância reformou a decisão, permitindo a instalação.

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