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Secretário de Justiça preso por suposto envolvimento em esquema de grampos pede para deixar o cargo em MT

GC Notícias | 03/10/2017 15:16
Coronel da PM, Airton Siqueira Junior foi preso por suposto envolvimento em esquema de interceptaçõe
(Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT)
Coronel da PM, Airton Siqueira Junior foi preso por suposto envolvimento em esquema de interceptaçõe

No lugar dele, assume o delegado Fausto Freitas.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel PM Airton Benedito de Siqueira Júnior, pediu ao governo do estado a exoneração dele do cargo, após ser preso no último dia 27 durante a Operação Esdras, que investiga o esquema de grampos clandestinos operado por policiais militares em Mato Grosso, durante os anos de 2014 e 2015.

Em nota, o governo informou que o pedido do coronel foi aceito e que, no lugar dele, será efetivado o delegado Fausto José Freitas da Silva, que responde interinamente pela pasta desde a última semana. A exoneração de Airton Siqueira deverá ser publicada no Diário Oficial do Estado, nos próximos dias.

O coronel Airton Siqueira já estava afastado do cargo desde o dia em que foi preso. Ele foi o primeiro membro da alta cúpula da PM a admitir, em depoimento à Corregedoria da Polícia Militar em julho deste ano, que o governador Pedro Taques (PSDB) sabia dos grampos.

Siqueira afirmou, naquela ocasião, que o governador tinha conhecimento do esquema de escutas clandestinas operado pela corporação, mas negou qualquer participação no crime.

Preso, o coronel foi encaminhado para a Academia da PM no Bairro Costa Verde, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá.

Gabinete de Transparência

Ao assumir a Sejudh, o delegado Fausto Freitas deixa o Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (GTCC), pasta que respondia cumulativamente desde a prisão de Siqueira. No lugar dele, segundo o governo, assume o atual secretário- adjunto, Carlos Corrêa Ribeiro Neto.

Operação Esdras

A Operação Esdras foi deflagrada nesta quarta-feira com o objetivo de cumprir oito mandados de prisão, 15 mandados de busca e apreensão e um mandado de condução coercitiva. As medidas cautelares são contra dois advogados. A condução coercitiva é contra o corregedor-geral da PM, coronel Carlos Eduardo Pinheiro da Silva.

Além do secretário da Sejudh, também foram presos o coronel da PM Evandro Alexandre Lesco, Helen Christy Carvalho Dias Lesco (mulher de Lesco), Paulo Taques (ex-secretário chefe da Casa Civil e primo do governador de Mato Grosso), Rogers Jarbas (ex-secretário de Segurança Pública), o sargento João Ricardo Soler, o empresário José Marilson e o major PM Michel Ferronato.

A defesa do advogado Paulo Taques disse que não irá se manifestar sobre a operação no momento. Os demais presos ainda não se manifestaram sobre o caso. Por meio de nota, o governo disse que "recebeu com surpresa e perplexidade os fatos revelados", mas que apoia desde o início as investigações.

Grampos

O esquema foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi secretário de Segurança em 2015. Ele diz que recebeu denúncia do caso naquele ano e que alertou o governador Pedro Taques.

Agora, a PGR investiga se Taques sabia do crime e de quem partiu a ordem para as interceptações. O governador, por sua vez, nega que tinha conhecimento sobre o caso.

Segundo consta na denúncia, políticos de oposição ao atual governo de Mato Grosso, advogados, médicos e jornalistas tiveram os telefones grampeados.

Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o envolvimento de policiais militares. O resultado dessa investigação, porém, não foi informado pelo governo até hoje.

Denúncia do MP

Em julho deste ano, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o ex-comandante da PM, coronel Zaqueu Barbosa, e os coroneis Evandro Lesco e Ronelson Barros (ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar,) o tenente-coronel Januário Batista, e o cabo Gerson Correa Junior por participação no esquema de grampos. Eles foram acusados de ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação.

Fonte: G1 MT