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... Mas está cheio de capivaras

GC Notícias | 28/03/2017 18:50

Nos últimos dias, O Ministério Público de Mato Grosso (MPE-MT) impetrou uma ação civil pública onde afirma que Nilson Leitão, enquanto prefeito, usou dinheiro público para contratar empresas de segurança privada – A.P. da Silva e Cia Ltda e a Invioseg Segurança Privada Ltda – que executaram a vigilância de sua residência pessoal, de 2005 até 2008, o que, segundo o MPE, denota claros indícios de improbidade administrativa. Um presidente do inquérito civil chegou arquivar o caso durante as investigações, mas acabou vendo sua decisão rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público.

A questão da Segurança Privada não surge como a primeira denúncia contra o político, que, aliás, tem uma lista grande de desgastes. Nilson Leitão já foi preso durante a Operação Navalha, deflagrada pela Polícia Federal (PF), em nove estados e no Distrito Federal, em 2007. Enquanto prefeito, ele foi acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro, que seria operacionalizado na cidade por um Consórcio vencedor de uma licitação de R$ 40 milhões para um grande obra de saneamento em Sinop. O deputado ainda foi alvo de uma ação popular pelo mesmo caso, sob acusação de ter recebido propina de R$ 200 mil para favorecer a Construtora Gautama que integrava o tal consórcio. O político chegou a ver uma decisão da 6ª Vara Cível de Sinop praticamente o absolver, em 2014, mas o desembargador, Márcio Vidal, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a absolvição e reavivou o caso. O imbróglio todo já chegou ao Supremo Tribunal Federal – STF, que não só aceitou denúncia, como já negou recurso interposto pelo parlamentar pedindo revogação.

Já o empresário Giovani Guizardi, preso em maio de 2016, durante a Operação Rêmora, e que seria um dos executores de um esquema de fraudes em licitações e propina na Secretaria de Educação de Mato Grosso, disse em colaboração premiada que o deputado foi um dos beneficiados pela ação criminosa. Segundo Guizardi, Leitão foi o responsável por indicar o ex-secretário Permínio Pinto, do PSDB, para chefiar a Seduc, além do próprio ex-servidor Fábio Frigeri. Permínio foi preso em julho de 2016. Ainda segundo Guizardi, o dinheiro desviado no esquema teria sido usado, em parte, para quitar dívidas de campanha de Leitão. Na época, o deputado negou envolvimento e disse que seu extrato bancário estava à disposição da sociedade, reforçando que nunca havia visto ou encontrado o delator na vida.

Fora isso, o deputado também já foi acusado de outras fraudes em processo licitatório pelo próprio Ministério Público, tendo sido, inclusive, apontado como um possível participante da famosa “Máfia dos Sanguessugas”. O STF, porém, rejeitou a denúncia que o acusava de ter adquirido ilegalmente, para Sinop, unidades medico-odontológicas por valores acima do mercado para beneficiar empresas envolvidas no esquema. O Supremo também já abriu inquérito contra Leitão por possível participação dele em invasão de terras indígenas da Tribo Xavante, no nordeste de Mato Grosso. O deputado foi mencionado em escutas telefônicas que apontavam relações de políticos com fazendeiros no ato para tentar reocupar a área Marãiwatsédé.

Durante o processo de impeachment, o portal UOL apontou que empresas envolvidas na Operação Lava Jato foram as maiores doadoras da campanha eleitoral de Leitão, em 2014. No pleito, o deputado federal acabou não só conseguindo a reeleição para a Câmara Federal como foi o mais votado de Mato Grosso.

(texto do site Notícias de Mato Grosso)