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Cuidado com os “independentes”

GC Notícias | 01/03/2018 17:08

A nova legislatura da Câmara de Sinop completou um ano de mandato e já estão surgindo vereadores se auto-nomeando independentes. A fala é politicamente sonora. Afinal dá a entender que aquele vereador se posiciona de acordo com a sua “cabeça”, sem influência do seu grupo político, da sua inclinação para oposição ou situação. Não é bem assim.

No poder legislativo, a composição do parlamento, ou seja, o nome das pessoas que irá ocupar cada uma das cadeiras, é feita respeitando a proporcionalidade dos votos que cada coligação recebeu na eleição. O vereador que se autoproclama independente, de imediato, está renegando todos os outros candidatos do seu grupo que com seus votos ajudaram o eleger. Na última eleição, o vereador mais votado foi Dilmair Callegaro, com 1.826 votos. O quociente eleitoral da eleição de 2016 foi de 4.445 votos. Ou seja, para “ganhar sozinho”, o candidato a vereadores precisava fazer mais de 4.445 votos. Aliás, no último pleito teve mais eleitores que votaram em branco (3.204 votos) do que em qualquer um dos atuais eleitos.

Romper com o grupo é uma traição não apenas aos dirigentes políticos e aos demais candidatos que colaboraram com sua eleição. É, acima de tudo, um estelionato ao eleitor. O cidadão, ao escolher seu candidato, leva em consideração todos os aspectos. Sua popularidade, os compromissos de campanha e, também, o grupo ao qual ele faz parte. O eleitor vota no conjunto.

Mas alguns, depois de eleitos, são picados pelo poder, acometidos por uma soberba que os faz acreditar que chegaram nessa posição sozinhos. Sozinhos mesmos, já que até o eleitor mais fiel, que trabalhou na campanha, acaba sendo inferiorizado pelo vereador que ajudou eleger.

O ego e a vaidade não são as únicas explicações para esse fenômeno. Há interesses, políticos e financeiros. Ao declarar-se independente, o vereador fica “livre” para transitar entre outros grupos políticos. Pode ser vil e rasteiro, a ponto de barganhar seu posicionamento a cada projeto que passa pela casa de leis. O caso mais comum, no entanto, é a “venda de apoio”.

Nesse ano teremos as eleições para deputado estadual e federal. Candidatos que quiserem chegar no pleito com condições de se eleger terão que ter bases políticas fortes. Uma forma de fazer isso é arrebanhar apoio de vereadores nos diferentes municípios. Com uma rede de candidatos que já foram eficazes em recolher votos na eleição passada, o candidato a deputado tem mais chances de vencer.

Há quem tenha encontrado nisso um negócio. E nem precisa ser muito criativo para imaginar, em Sinop, quem poderia pagar por isso.

Vereador que vende seu apoio para candidato de outro grupo político está se corrompendo, cuspindo no prato que o alimentou e tratando seu eleitorado como gado. É a velha prática que não se espera em um grupo novo, onde das 15 cadeiras da Câmara, apenas 3 dos eleitos estava na legislatura passada (e um deles foi colocado porta a fora pelos demais).