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Eleito e deposto pelo Facebook

GC Notícias | 15/08/2017 17:05

Ao longo dos 9 anos da sua ascendente carreira política, Fernando Brandão (PR), ganhou notoriedade, principalmente, pela forma como utilizou as redes sociais como ferramenta de trabalho. Dentro da classe política de Sinop ele foi pioneiro no uso da plataforma, expondo suas ações no Facebook quando a maioria dos vereadores tentava evitar a todo custo o contato com os famintos eleitores da internet (fossem reais ou fakes). Brandão fazia laços, reforçava amizades, se propagandeava e, não raras vezes, comprava brigas no universo do Facebook. Ele mesmo fazia questão de responder as demandas que a população marchava via rede social. E, convenhamos, é bem fácil demandar um vereador via Facebook. Basta lançar o tema e marcar o político para que responda.

No começo, Brandão conciliava seu Blog com as publicações em sua página pessoal. Fazia comentários, homenageava pessoas e fazia o afago para alguma liderança ou grupo de pessoas. É praticamente a evolução do “tapinha nas costas”, que há anos é utilizado como instrumento de fazer política. A técnica foi sendo aprimorada e, em pouco tempo, Brandão passou a fazer do seu Facebook a sua própria emissora de TV. No chamado “Gabinete Virtual”, o vereador falava de seus projetos, motivava pautas e convidava personalidades para expor temas, de forma muito similar a um programa de debates. Chegou inclusive a ter dois senadores participando disso.

O uso da rede social deu visibilidade para Brandão. Parte de seus eleitores cativos o apoiam justamente pela forma como trata esse público na internet. As redes sociais foram um fermento para a carreira política de Brandão.

A ironia é de que a ferramenta que ajudou a catapultar sua carreira política foi também o seu algoz. As redes sociais elegeram e depuseram Brandão. Isso ficou eminente durante a leitura do relatório elaborado pela comissão processante, de ética e decoro parlamentar, na noite desta segunda-feira (14). Muitos trechos do documento que embasava a cassação do mandato do vereador, citavam “prints” de conversas no Whatsapp ou de postagens de Facebook, feitas por Brandão ou seus assessores. Foram várias citações dessa natureza. A comissão usou postagens e prints para argumentar, entre outras coisas, que a assessora de Brandão cobrava o repasse de dinheiro da ex-servidora, que exigia a cópia do seu holerite, entre outras conversas que mostravam o que foi descrito como “extorsão” praticada pela sua chefe de gabinete. Até mesmo o vínculo de Brandão com seus “assessores informais”, foi justificado com prints de Facebook.

Se esses prints tem validade como prova ou se a comissão deveria ter trazido isto para um relatório de uma comissão que propõe a cassação de um mandato, é outra história. O que nós registramos aqui é a ironia dessa senhora sapeca chamada internet. Esse mundo a parte das redes sociais elege e depõe ídolos, cria celebridades e massacra a imagem dos menos afortunados. É um universo impar, desconexo da realidade e ao mesmo tempo umbilicalmente ligado. Um mundo “virtual” e “real” ao mesmo tempo, que gera alegria e dor, do qual nem nós mortais, nem os políticos, não conseguem mais viver sem. Seja para autopromoção ou para condenação.