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Felizes por ganhar uma enxada

GC Notícias | 13/09/2018 17:31

Hoje, quinta-feira (13), pela manhã, vários senhores e senhoras vestidos de camisetas azuis comemoravam, com direito a foguetório, felizes por terem ganhando uma ferramenta que utilizarão para trabalhar de graça para os outros. O mais entusiasmado usava um terno com mais medalhas que um general que venceu a guerra. Um homem que não possui um único fio de cabelo que não seja branco e, ainda assim, ofegava por ter ganhado uma “enxada” que usará para trabalhar de graça para os outros. Ele é o líder de uma nação de pessoas que esconde o próprio nome e se apresenta como bicho.

Caso alguém ainda não tenha compreendido, estamos falando de um grupo bastante peculiar: os membros do Lions Clube de Sinop. Esses cidadãos passaram os últimos anos buscando dinheiro, fazendo eventos, mendigando para o poder público e para a sociedade com o objetivo de construir o Hospital da Visão. Vejam bem! O Lions não pediu um terreno da prefeitura para fazer sua sede social. Tampouco recolheu recursos para fazer uma festa ou ampliar seu prédio. O que esse clube de serviço fez foi clamar para construir um local onde poderá cuidar de quem não tem recurso para operar os olhos.

O Hospital da Visão, entregue hoje para o Lions, é uma enxada. Uma ferramenta de trabalho que a entidade vai usar para fazer o serviço que deveria ser do SUS, sem cobrar nada por isso. E, ainda assim, os leoninos lá presentes, transbordavam de alegria. Alguém disse há uns dois mil anos que a felicidade estava em ajudar o próximo. Pelo pessoal do Lions, parece ser verdade.

O GC Notícias faz esse texto porque entende que a missão do Lions é nobre, mas o peso dessa enxada é grande. Só para começar a carpir, será preciso mais R$ 3 milhões para mobiliar e equipar a estrutura. Uma vez funcionando, essa unidade hospitalar precisará algo na casa dos R$ 400 mil por mês além da esmola que virá via SUS. Alfredo Garcia, presidente do Lions, apesar dos cabelos brancos, ainda transborda energia – como bem mostrou no abissal costelaço que organizou. Mas ele não é eterno. É preciso que novos filantropos surjam em nossa sociedade e que estejam dispostos a fazer calo nas mãos para ajudar os menos favorecidos.

O prédio do Hospital da Visão de 986 metros quadrados. É grande. Só para se ter uma ideia, a UPA de Sinop tem 1.586 metros quadrados. Essa estrutura pode ser um colírio da saúde pública para quem precisa enxergar ou um grão de areia nos olhos. Por ser grande, há espaço físico para prestar um serviço de referência. E, pelo mesmo motivo, será cara para manter.

A torcida é para que o rugido dos leoninos ecoem em nossa sociedade, despertando os dormentes que tem condição mas ainda se negam a colaborar.