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“Não vim falar de política”

| 31 de Janeiro de 2020 as 17h 15min

O vice-governador do Estado, Otaviano Pivetta, virou as costas e quase deixou a entrevista coletiva, quando foi perguntado sobre sua candidatura para disputar a vaga remanescente para o Senado Federal. “Eu não vim aqui para isso”, retrucou o vice.

Pivetta estava atendendo a imprensa de Sinop na manhã dessa sexta-feira (31), logo após se reunir com a prefeita de Sinop, Rosana Martinelli, e demais lideranças. O assunto em pauta da reunião era Educação – precisamente as escolas estaduais que o Estado começou a construir e que foram abandonadas pela metade.

Se esse era o assunto da reunião, esse deveria ser o tema da entrevista. Essa foi a lógica de Pivetta, demonstrada em seu gesto. Com uma pergunta que retornava ao tema, Pivetta regressou para responder demais questionamentos da imprensa. Mas no momento o que se viu foi um corte seco, no estilo “Tramontina”.

Pivetta é conhecido por não misturar as estações. Seu bordão – de quando foi prefeito de Lucas do Rio Verde e também deputado estadual – era: “a pessoa tem que entrar na vida pública para servir e não para se servir”. A postura de hoje mostra que a objetividade ainda acompanha Pivetta.

No momento a atitude soou como uma patada no repórter. O coice não foi em vão. Por princípio, um vice-governador não pode usar a máquina pública, toda a estrutura do Estado, para viajar cativando capital político para uma eleição que acontecerá em menos de 90 dias. Também não é justo com os demais concorrentes do certame iniciar a campanha antes.

Se o motivo que fez Pivetta se negar a falar sobre a campanha para o Senado não foi a baliza da ética, certamente foi por inteligência. Seria um flagrante de uso da máquina pública – abuso de poder político – com uma dose de campanha extemporânea. Ingredientes suficientes para cassar a sua candidatura.

Ou seja, por fora pareceu uma atitude truculenta. Para quem está dentro do jogo, foi um drible de classe. Pivetta continua firme como um possível candidato ao Senado Federal, para ocupar a vaga deixada pela ex-juíza, Selma de Arruda.