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O que vai condenar Brandão?

GC Notícias | 27/06/2017 17:05

 

A essa altura, a maioria dos sinopenses que acompanha (mesmo de longe) a política local, já sabe do processo de cassação de mandato que corre contra o vereador Fernando Brandão (PR). A acusação é de que o vereador exigia de alguns servidores por ele indicado uma parte do salário. A prática atrelada a denúncia foi rotulada de “Mensalinho”.

Brandão será julgado pelos seus 14 colegas de legislativo na próxima segunda-feira. Os mais atentos se perguntam: o que irá condenar o vereador?

Serão as provas robustas colecionadas no relatório elaborado pela comissão processante? Teria este documento uma prova efetiva de que Brandão recebeu, mês após mês, parte do salário dos servidores que indicou?

Tal documento foi elaborado por Dilmair Callegaro (PSDB), que de 15 em 15 dias se alfineta com Brandão na tribuna da Câmara, quando o governador do Estado, Pedro Taques (PSDB), é o assunto. Entre o acusador e o acusado, existe bem pouca simpatia.

Outro membro da comissão é o vereador Toni Lenon (PMDB), que praticamente esfregou um rato de plástico na cara de Brandão quando o assunto veio a tona. Fechando o grupo de eleitos para processar o vereador mensalista está Joacir Testa (PDT), que até o momento figura como o principal defensor da OSS que administra o Hospital Regional. Sua principal pauta na tribuna tem sido cobrar para que o Estado pague a conta que a Fundação diz ter. É praticamente um estafeta do Santo. Ou seja, Brandão não tem amigos dentro da comissão processante.

Isso significa que a postura dos membros compromete o relatório da comissão? De forma alguma! Até o sujeito mais comprometido e parcial pode realizar um apanhado de provas consistentes. A questão é saber se este foi o caso.

Em uma análise superficial, o documento cunhado pela comissão processante não condena com absoluta certeza Brandão – e nem de perto o absolve. Tem muita coisa lá que exige explicações bem embasadas do vereador. E ele terá duas horas para isso, na próxima segunda-feira. A questão é saber se isso será suficiente.

Não é apenas o relatório que se posiciona em desfavor de Brandão. Mesmo pertencendo ao grupo político que possui 9 cadeiras na Câmara e precisando de apenas 5 votos para se livrar, a sua situação não está favorável. Nos bastidores, o que se diz é que Brandão está com baixo carisma entre seus colegas. Desse jeito, talvez não precise nem de muito argumento no relatório para que seus pares lhe digam não.

Outro fator é a síndrome de pizzaria da Câmara de Sinop – algo que atinge a política como um todo. Sempre que um político é denunciado por algo atrelado ao enriquecimento ilícito, a opinião pública o condena por antecipação – reflexo natural do descrédito que essa classe conquistou ao longo de anos. Quando tal político denunciado acaba inocentado, a população se sente traída. Portanto, quem decidir votar pela não cassação de Brandão, terá que ter coragem para enfrentar o efeito rebote.

Por isso a pergunta que deixamos é: o que vai cassar Brandão? As provas contra ele, o espírito de competição dos seus colegas ou o medo da opinião pública?

Seja qual for a resposta, a decisão abrirá um precedente para todos os que permanecerão em seus cargos.