Bom dia, Segunda Feira 21 de Outubro de 2019

Notícias dos Poderes

Promotor da lacração

| 02 de Outubro de 2019 as 09h 38min

À 500km de Sinop, na urbana Cuiabá, o promotor de Justiça, Alexandre Guedes, decidiu emoldurar o seu alto grau cultural e dar uma “lacrada” aproveitando a polêmica que vem do interior. Ao saber que o grafite da ativista Greta Thunberg, feito no viaduto do São Cristóvão, em Sinop, seria apagado, Guedes imprimiu a imagem – de forma bem amadora, provavelmente na impressora do seu gabinete – pendurou na entrada da sua sala. Depois tirou uma foto e postou em suas redes sociais dizendo: “o bom da arte é isso. Você tenta apagar, mas ela se reproduz”. A atitude acabou sendo aproveitada pela imprensa cuiabana, que deu destaque.

O promotor está certo no que disse. Em tempos iluminados, de democracia vigente, quando se tenta censurar uma arte, um livro, uma música ou um texto, essa peça se reproduz. É a forma que a sociedade tem de mostrar que não existem cabrestos que lhe cabem e que a cada tentativa de represália, um libertário se levantará.

Nisso ele está certo. Mas seu ato está fora de esquadro. Guedes é o retrato do homem urbano, mora e trabalha em prédio, na capital. É funcionário público, que veste terno e gravata todas as manhãs. Se por um lado ele foi sensível o suficiente para replicar a obra censurada, por outro lhe faltou sensibilidade para entender a fúria que o rosto da ativista causou entre quem opera o agronegócio ou indiretamente vive dele, no Norte do Estado.

Foi um ato desconexo, com cheiro de autopromoção. Uma típica “lacração” daqueles que parecem iluminados demais a ponto de não entender como funciona a sociedade real, o chão da fábrica, o pé-rachado... Sua “luta” pela arte se resumiu a mandar um dos seus assessores imprimir o grafite e colar na porta do gabinete, tirar uma foto e postar nas suas redes sociais. Nossa! Que Herói!

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