Bom dia, Sexta Feira 24 de Novembro de 2017
Saúde Coluna Social Classificados Sobre o Site Fale Conosco

Saúde que parece anedota

GC Notícias | 20/06/2017 10:01

 

Uma piada do tempo do Ari Toledo contava a tragicomédia do paciente internado, que após a cirurgia recebia a visita do médico com as considerações sobre o procedimento. O doutor dizia ter duas notícias para o cliente SUS, uma boa e outra ruim, pedindo ao paciente que escolhesse a ordem que preferia recebe-las. Ainda com dor, o paciente escolhe a ruim primeiro. Eis que então o médico diz que apontou a perna errada, cortando a saudável ao invés da doente. Após muito lamento, o paciente se recompõe e pergunta qual é a notícia boa. A boa, diz o doutor, é que sua perna ruim está melhor.

Essa anedota antiga usa da extrapolação para criticar a forma como se faz saúde pública. Deveria ser uma hipérbole imaginativa, que jamais aconteceria de verdade. Mas foi exatamente o que aconteceu em Mato Grosso. E não foi nos interiores em final de grota. Foi bem na capital do Estado.

Mais precisamente no Pronto Socorro de Cuiabá, no último sábado (17). O paciente estava internado na Santa Casa e foi transferido para o Pronto Socorro após ter uma parada cardíaca. Foi reanimado e encaminhado para a cirurgia de amputação. Mas o médico cortou a perna errada. Sim, tiraram a perna boa. A piada só não se completou porque o doutor não conseguiu dar a notícia para o paciente. O homem morreu no dia seguinte.

É bem verdade que o quadro do senhor não era bom. Diabetes, hipertensão e chegou na unidade praticamente infartado. Portanto, é impossível determinar se o paciente morreu em função do procedimento tosco. Porém, isso não anula a gravidade da situação. Pensem? O sujeito tem duas pernas e o médico precisa cortar uma. Não é algo tão difícil assim de administrar que justifique a confusão.

Agora o prefeito de Cuiabá, Manuel Pinheiro, disse que vai acompanhar pessoalmente o caso. Quer investigar os profissionais envolvidos, apurar os fatos e, se necessário, punir os envolvidos. No pior dos quadros, o médico será afastado das suas funções. Aliás, é o que a maioria das pessoas espera, punição ao cirurgião com dislexia. No fim, quem sentirá a amputação é a população de Cuiabá, que ficará dias com um médico a menos na escala de plantão.

E esse é o final da piada.