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Secretário bom de garganta

GC Notícias | 31/03/2017 16:05

“Demora só se for com os outros secretários”. Essa foi a resposta que o secretário de Desenvolvimento Econômico de Sinop, Daniel Brolese, deu para a reportagem do GC Notícias, quando indagado sobre a “solução definitiva” que a prefeitura pretende dar para os comerciantes de rua. Brolese disse que pretende construir quiosques, com piso pavimentado e banheiros, nas grandes rotatórias da cidade, destinando essas edificações aos comerciantes informais que terminaram a semana sendo arrancados dos seus pontos. Achamos o projeto lindo, mas perguntamos: isso fica pronto em menos de 10 anos?

Brolese assegurou que sim, que é dinâmico, arrojado e que vai correr atrás. A demora, segundo ele, é coisa de outros secretários (provavelmente do passado). Para mostrar eficiência, disse que por enquanto os ambulantes já tem um local destinado para trabalharem; o pátio do Ginásio Benedito Santiago. Basta procurar a secretaria, pegar seu espaço e começar a trabalhar.

Pelo menos foi essa a impressão que Brolese passou. Na prática, quem conhece a coisa pública, sabe que tal destinação e uso desse espaço público precisa ser autorizado por lei. Precisa passar pela Câmara e pela aprovação dos vereadores. Nada disso foi feito ainda. Depois, para ser legítimo, cada comerciante terá que ter uma autorização específica, informando seu espaço e seu direito de operar. Provavelmente, para que não seja feita ao arrepio da lei, os comerciantes de rua terão que montar uma associação – similar ao que fizeram os feirantes do município e que como tal, se tornaram um grupo fechado, quase imutável. Cada pedaço de terreno público será uma concessão, similar aos taxis em Sinop, que por sinal já foram objeto de CPI graças a locação e sublocação dessas concessões para terceiros. Alguém duvida que isso pode acontecer com os ambulantes?

Mas Daniel Brolese garante que com ele é diferente, que as coisas andarão rápido e que tudo será descomplicado. Para amenizar a dor de quem lamenta pelos “pequenos”, o secretário disse que o vendedor de água de coco e vassouras, removido de uma dessas avenidas da cidade, tira R$ 18 mil por mês.

Tomara que o secretário “bom de boca”, entenda que essa barraquinha na beira da calçada que a prefeitura e o Ministério Público removeram é, então, uma empresa que movimenta e consome R$ 18 mil por mês e que agora está fechada.

Vamos esperar, torcer e cobrar o secretário para que sua eficiência como gestor público seja tão boa quanto seu discurso.