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Vereador que perdeu o trem

GC Notícias | 15/12/2017 19:22

Nessa sexta-feira (15), exato uma semana depois da audiência pública realizada em Sinop para discutir a Ferrogrão, o vereador Billy Dal’Bosco (PR), foi até a tribuna reclamar da forma como o ato público feito. Chegou atrasado e quis sentar na janelinha.

Billy classificou a audiência pública como “palhaçada”, fruto de um ato politiqueiro, restrito à meia dúzia de interessados em boicotar o projeto da ferrovia. Sua critica foi especialmente dirigida ao deputado federal, Xuxu Dalmolin e ao prefeito da cidade de Sorriso, Ari Lafin. O vereador cogitou inclusive apresentar uma moção de repúdio ao deputado, acusando-o de colocar empecilhos para execução dessa “importante obra”.

Repúdio vereador? Sério!? Xuxu Dalmolim foi a liderança política de maior cargo presente na audiência. Aliás, a única realmente expressiva que demonstrou ter interesse e preocupação com essa obra. De Sinop, o único político presente foi o vereador Ícaro Severo. Nenhum dos outros 14 vereadores, dos 3 deputados estaduais, daquele federal que só vem nos próprios eventos ou mesmo a prefeita de Sinop estiveram presentes. Para justificar a sua injustificável ausência, ao invés de pedir desculpas, Billy tratou de atacar quem fez o seu trabalho e esteve presente na audiência. Criticou a postura de Xuxu Dalmolin mesmo não estando lá para ouvir o que o deputado federal disse.

Xuxu em nenhum momento quis puxar a brasa para Sorriso. Tratou de forma respeitosa a população indígena presente em massa na audiência, frisando que os pontos de divergências precisam ser vencidos para que a ferrovia seja viabilizada. Defendeu o impacto positivo que a Ferrogrão causará na economia e, por fim, se comprometeu em trabalhar para dar celeridade aos demais processos “pós-audiência” em Brasília. Se o vereador estivesse lá, teria escutado.

Na tribuna da Câmara, Billy disse que a audiência foi feita às escondidas e que não foram convidadas todas as lideranças políticas da cidade. Meia verdade. A convocação da audiência foi publicada em jornais que circulam mais em Cuiabá que aqui. Fato. Mas isso não impediu que a imprensa noticiasse o evento com antecedência (inclusive o GC Notícias), e que os índios Caiapós lá de Novo Progresso no Pará, viessem para cá. Só falta o vereador dizer que os índios vieram porque era do interesse deles. Isso deixaria claro o motivo da sua ausência.

Billy queria ser convidado, pessoalmente. Talvez com um cartão personalizado para sua família e uma cadeira de honra. Isso, de fato, os técnicos da ANTT que marcaram ainda em outubro as audiências públicas não fizeram. Se o vereador tivesse se atentado antes, ainda daria para ter participado da audiência em Brasília, que foi na última terça-feira (12), com direito a receber uma diária interestadual.

Infelizmente esse trem passou. Mas existem muitos outros, do tamanho que um vereador precisa pegar. Só não fique esperando convite para se fazer presente nos assuntos de interesse de Sinop. Seria deselegante para nós ter que lhe convidar, toda semana, para visitar posto de saúde, creche do município, fila de Sine ou o abstrato mundo das finanças do executivo municipal. Já pensou?