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“Não sei como vai ser”, diz jovem que teve as duas mãos decepadas pelo marido em MT

GC Notícias | 09/05/2017 13:25
Geziane Buriola da Silva teve as mãos decepadas com um facão
(Foto: Carolina Holland/G1)
Geziane Buriola da Silva teve as mãos decepadas com um facão

Geziane da Silva, de 31 anos, está internada sem previsão de alta

Não sei como vai ser minha vida daqui pra frente", diz com lágrima nos olhos a dona de casa Geziane Buriola da Silva, de 31 anos, que teve as mãos decepadas pelo marido, há um mês, e está internada na enfermaria do Hospital Municipal São Benedito, em Cuiabá, sem previsão de alta. O marido dela, o operador de máquinas Jair da Costa, que tem a mesma idade dela, foi preso depois do crime, ocorrido no dia 10 de abril, em Campo Novo do Parecis, a 470 km de Sinop.

Mesmo na prisão, ele ainda "assombra" a vítima, que, no leito do hospital, disse sentir medo do que ele pode fazer quando for solto.

"Tenho medo. Tenho medo de ele me bater quando sair da cadeia", revela.

Além de causar a sensação de insegurança constante, Jair a forçou a se adaptar a viver para o resto da vida sem as mãos e todas as dificuldades que isso traz.

Geziane ainda sente dores pelo corpo. Além das mãos, os golpes de facão acertaram o rosto, ombro, barriga e cabeça. Ela saiu do coma induzido e teve alta da Unidade de Terapia Intensiva na semana passada, depois de mais de 20 dias, e fala com dificuldade por causa de uma traqueostomia.

Mãe de dois meninos de 5 e 10 anos de idade, ambos do primeiro casamento, Geziane estava com Jair havia um ano e meio. Nesse período, ela foi vítima de agressões por várias vezes. Em uma delas, ficou com o olho roxo. Chegou a procurar a polícia em duas ocasiões para denunciá-lo. Nos dois casos, porém, a jovem retirou a queixa. "Não sei por que fiz isso", diz.

Na data em que brigaram pela última vez, Geziane e Jair tinham passado o dia bebendo. À noite, iniciaram uma discussão. "Nem lembro o porquê", diz a mulher. O operador de máquinas pegou um facão e correu atrás dela, que tinha fugido para a rua. Ele a acertou no rosto e, ao tentar se defender, a jovem teve uma das mãos decepadas. O marido não parou. Acertou-lhe outros golpes, sendo que um deles praticamente cortou a outra mão - que acabou amputada num hospital.

O crime brutal só cessou quando vizinhos interviram e passaram também a agredir Jair.

Na tentativa de se justificar, o operador de máquinas alegou que havia visto a mulher com outro dentro de casa. A versão foi desmentida pela polícia. 

Fonte: G1 MT