Boa noite, Domingo 21 de Outubro de 2018
Saúde Coluna Social Classificados Sobre o Site Fale Conosco

Ouvimos o choro embaixo da terra', diz policial sobre resgate de índia recém-nascida enterrada viva em MT

GC Notícias | 06/06/2018 14:45
Bisavó da índia recém-nascida, Kutz Amin, detida
(Foto: Polícia Civil de MT/Assessoria)
Bisavó da índia recém-nascida, Kutz Amin, detida

Família seguiu costumes indígenas e enterrou a menina por pensar que ela morreu após o parto

O resgate da índia recém-nascida – que foi resgatada depois de ser enterrada viva pela família dela, nessa terça-feira (5), em Canarana, a 684 km de Sinop, é visto como um milagre por policiais que ajudaram a salvá-la.

A polícia descobriu que a recém-nascida estava viva no momento em que os policiais cavavam para retirar o corpo do local. (Veja o vídeo logo abaixo).

“Podíamos ouvir um choro, bem pequeno, embaixo da terra”, declarou ao G1 o major e comandante da Polícia Militar em Canarana, João Paulo Bezerra do Nascimento.

Os policiais calculam que a criança ficou enterrada por sete horas – entre as 14h e 20h de terça-feira em uma cova de 50 centímetros de profundidade. A menina está no Hospital Regional de Água Boa, a 707 km de Sinop.

A família indígena, seguindo os costumes deles, enterrou a menina no quintal da casa deles. A bisavó, Kutz Amin, de 57 anos alegou que a criança não chorou e, por isso, acreditou que estivesse morta. Ela acabou presa nesta quarta-feira (6). 

Segundo o comandante, os policiais se surpreenderam com a história por duas vezes: primeiro, pelo fato da família ter enterrado a criança e não comunicado às autoridades. Segundo, pelo fato da menina ter sobrevivido embaixo da terra por tantas horas.

“Ela foi enterrada por volta de duas horas da tarde e fomos acionados já no período da noite. Foi um lapso temporal muito grande. Já tinha acabado com qualquer esperança de encontrá-la viva”, declarou Nascimento.

O procedimento legal é a PM comunicar a situação à Polícia Civil, que por sua vez liga para a Perícia Oficial e que faz a retirada do corpo. Como os peritos estavam em outra cidade, longe dali, os policiais civis deveriam primeiramente encontrar o corpo.

“Quando o policial começou a escavação, podíamos ouvir um choro bem pequeno, embaixo da terra. Vimos que a criança estava viva, a tiramos dali e levamos para o hospital”, comentou o comandante.

A bebê indígena está sob os cuidados intensivos de uma pediatra desde que deu entrada no Hospital Regional de Água Boa, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

“Foi como um milagre, ninguém acreditava que essa criança pudesse estar viva e acabou emocionando a todos ali”, concluiu o comandante.

Parto

A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa, por volta do meio-dia de terça-feira. O bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família.

Resgate

A denúncia anônima feita à polícia na tarde de terça-feira dizia que o bebê havia morrido durante o parto e sido enterrado no quintal dessa casa. Com isso, os policiais foram até o local para saber o que tinha acontecido e retirar o corpo e levá-lo ao Instituto Médico Legal (IML).

A mãe da adolescente e a mãe do bebê foram ouvidas na delegacia e liberadas. A adolescente está com um quadro de saúde debilitado e com hemorragia. A Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanha a situação com a família.

Prisão da bisavó

A bisavó deve ser apresentada à Justiça em uma audiência de custódia entre esta quarta e quinta-feira (7). A Polícia Civil autuou a bisavó por tentativa de homicídio. Ela disse à polícia que cortou o cordão umbilical e enterrou a menina.

“Ela confessou que cortou o cordão umbilical do bebê e, por não ter chorado, ela acreditou que a menina estava morta. Ela fez o enterro do bebê na cultura deles, sem comunicar às autoridades”, disse ao G1 o delegado Deuel Paixão de Santana.

O estado do bebê é estável e estão sendo aguardados os resultados de diversos exames que já foram realizados. A pediatra pediu ainda novos exames, dentre eles um de tomografia.

 

Fonte: G1 MT