Boa noite, Sábado 08 de Agosto de 2020

Política

A voz de Maria na Câmara de Sinop

Série de entrevistas do GC Notícias com os vereadores traz a trajetória da Professora Branca

Entrevistas | 24 de Julho de 2020 as 16h 51min
Fonte: Redação

Foto: Assessoria

Com uma trajetória marcada por lutas, Maria do Socorro Pereira Cruz – a professora Branca, fez das dificuldades que enfrentou ao longo da vida, a mola propulsora para atuar na defesa de causas que vão desde a busca por educação e saúde de qualidade, até o combate à violência contra mulher. Bandeiras pessoais que ela defende na Câmara Municipal, desde que foi eleita vereadora por Sinop.

A relação com a educação já dura 30 anos, desde que concluiu a graduação em Ciências Físicas e Biológicas, pela Universidade Federal de Mato Grosso. “Resolvi ser professora pela dificuldade que passei. Eu fui hostilizada e sofri preconceito na universidade. Era difícil de entrar na universidade e uma professora me disse: ‘o que você quer aqui? A universidade não é pra você’. Depois disso, eu resolvi provar que ela estava errada e fiz da educação minha profissão, porque eu não queria que mais nenhum aluno passasse pelo que eu passei”.

Determinada a trabalha na promoção de uma melhora no ensino da rede pública. Ao longo desses quase quatro anos como vereadora, Branca já apresentou mais de 570 matérias entre indicações, projetos de lei, projetos de decreto legislativo, ofícios, moções de aplausos e requerimentos, que impactaram diretamente na educação do município.

A exemplo da proposta que resultou na implantação do programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (JEPP), que prevê educação financeiras nas escolas municipais, o cursinho pré-vestibular gratuito, a lei 2.842/2020, que institui a Feira do Livro, Leitura e Literatura, a lei nº 2519/2018 para "Campanha de Valorização do Professor e Combate à Violência no Ambiente Escolar" e o aumento de recursos para manutenção das escolas.

 

A dor familiar e a saúde

Mesmo tendo feito da vocação de lecionar a marca que carrega em seu nome enquanto parlamentar, a professora Branca também enfrentou lutas pessoais na saúde. O gatilho para atuação política teria sido acionado depois de 2009, quando perdeu a filha Janaína, de 18 anos, vítima de dengue hemorrágica. “Os médicos estavam brigando por salário, ela deu entrada no pronto atendimento e nenhum médico socorreu minha filha. Foi inaceitável”.

Desde então, a vereadora acompanha e incentiva todas as ações do município de combate à dengue. Branca também foi autora do projeto que resultou na lei que garante parto humanizado e o trabalho das doulas. Além da destinação de parte das emendas impositivas para investimento em saúde.

“Já temos a lei das doulas garantida pela saúde pública e privada. É amparo e zelo com as mulheres. Tem o projeto que prevê terapias naturais no sistema de saúde de Sinop e o do banco de materiais ortopédicos”.

 

A luta feminina

Grande incentivadora de uma maior participação das mulheres na política, Branca acredita que o diferencial de uma administração feminina está na habilidade de dirimir conflitos. “Em uma administração existe muito conflito e eu acredito muito na administração das mulheres. Tanto que eu quando vim para ser candidata eu resolvi apoiar uma mulher, por acreditar na administração feminina. Nada contra a administração de um homem, mas é em favor de dizer que as mulheres são tão capazes quanto”.

Autora da lei que garante 5% das moradias habitacionais para mulheres vítimas de violência e da que proíbe o Executivo e Legislativo de contratar ou empossar para concurso condenados pela Lei Maria da Penha, Branca crê na importância de incentivar a capacitação das mulheres para o mercado de trabalho e foi uma das articuladoras para ser efetivada a implantação da Delegacia da Mulher, em Sinop.

E se ainda existem centenas de mulheres que sofrem de forma silenciosa, foi na tribuna da Câmara que a professora vereadora encontrou formas de ‘dar voz e vez’ às Marias, Brancas, Joanas, Aparecidas, Letícias e tantas outras vítimas de preconceitos, abusos, violência doméstica e feminicídios que não conseguiram falar e precisam ser representadas. “Somos metade da população e mãe da outra metade. Por que não ser paritariamente?”, finalizou.