Boa tarde, Terça Feira 19 de Fevereiro de 2019

Política

Novo bloco de oposição acaba com a hegemonia da bancada de situação

Com a articulação, bloco conseguiu 14 dos 21 assentos nas comissões competentes e a corregedoria

Sinop | 05 de Fevereiro de 2019 as 09h 59min
Fonte: Jamerson Miléski

A era de maioria absoluta da bancada de situação na Câmara de Sinop chegou ao fim. Um bloco parlamentar, formado por 8 vereadores de 4 partidos diferentes, é a nova maioria do legislativo municipal. O grupo, que conserva a mesma base que garantiu a eleição de Remídio Kuntz (PR) para presidente, dominou a composição das comissões competentes na sessão dessa segunda-feira (4). Dos 21 assentos, 14 foram ocupados pelos vereadores do bloco que se denomina suprapartidário. O grupo também emplacou o novo corregedor da Câmara, o vereador Dilmair Callegaro (PSDB).

A eleição das comissões competentes foi marcada por embates, interrupções, manobras políticas e uma inacabada discussão a cerca das normas previstas no regimento interno da Câmara. O primeiro ponto de discórdia foi a cadeira vazia do MDB.

Na sexta-feira (1), a vereadora Maria José (MDB), protocolou um pedido de licença, superior há 30 dias. Com isso, a cadeira ficou vaga para posse do primeiro suplente, Mauro Garcia (MDB). Mauro estava na sessão, de terno, gravata e a portaria com a sua exoneração do cargo de secretário de Trânsito. Vereadores da base de sustentação da prefeita Rosana Martinelli (PR), como Billy Dal’Bosco (PR) e Ademir Bortolli (MDB), reivindicaram, me tribuna a posse instantânea do suplente. O presidente da Câmara, Remídio Kuntz (PR), não acatou. “Baseado no que diz o regimento interno, eu fiz a leitura da licença da vereadora nessa sessão e não há obrigação de empossar o suplente imediatamente”, justificou Kuntz.

A bancada do MDB e do PR alegava que a ausência de um vereador reduziria a representatividade do grupo na composição das comissões competentes. Mas a votação prosseguiu mesmo com um vereador a menos.

O desenho da derrocada da bancada de situação começou quando Leonardo Visera (PP), registrou o bloco parlamentar para disputar a eleição das comissões. Nesse bloco estavam ele, o presidente da Câmara, os 4 vereadores do PSDB, Luciano Chitolina, Adenilson Rocha, Ícaro Severo e Dilmair Callegaro, além dos vereadores do MDB, Lindomar Guida e Tony Lennon. Os remanescentes do PR, Professora Branca, Billy Dal’Bosco e Hedvaldo Costa apresentaram um bloco partidário com seus 3 nomes. Joacir Testa, do PDT, fundiu-se os restantes do MDB, Bortoli e Joaninha, formando um terceiro bloco. A maioria votou para que a eleição fosse por bloco.

Para resolver as animosidades, Remídio suspendeu a sessão. O expediente foi retomado e os embates sobre o entendimento do regimento interno continuou. A sessão foi novamente suspensa e no retorno o presidente prosseguiu com a eleição das comissões competentes.

O “blocão” dos 8 apresentou dois candidatos por comissão. PR e MDB+PDT, um cada. Remídio determinou que cada vereador poderia escolher até 3 representantes, entre os candidatos, por comissão – o que seria equivalente ao número de cargos: presidente, relator e membro. Dessa forma, os 8 vereadores do bloco conseguiram emplacar dois cargos dos 3 que cada comissão tem.

Os vereadores do MDB com PDT e do PR simplesmente se recusaram a votar. Além de um boicote ao método aplicado por Remídio, o ato foi uma tentativa, em vão, de derrubar o quórum necessário para votação. A votação foi secreta, em cédula. Apenas os 8 registraram voto.

Três dos 8 vereadores votaram nos vereadores dos blocos MDB e PR, tornando assim o resultado da eleição válido, com 3 vereadores eleitos por comissão. Com o resultado preliminar, Remídio voltou a suspender a sessão, para a eleição entre os integrantes das comissões.

Com 2 votos contra um, o bloco do 8 decidiu com quais cargos iria ficar. Nas duas comissões mais importantes da Câmara, o bloco ficou com a presidência e a relatoria. Na comissão de Justiça e Redação, Adenilson será o presidente e Visera o Relator. Na comissão de Finanças e Orçamento, Tony Lennon preside e Ícaro relata. Praticamente todos os projetos de lei precisam passar pelo aval dessas comissões antes de ir para votação.

O blocão ficou ainda com a presidência e relatoria das comissões de Obras, Viação e Serviços Urbanos, comissão de Ecologia, Meio Ambiente, Saúde e Seguridade Social. Nas demais, dividiu os cargos. Na comissão de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, Desporto e Assistência Social, a presidente será a Professora Branca, mas Ícaro é o relator. Na comissão de Economia, Indústria, Comércio e Agricultura, Testa preside, mas Ícaro também é o relator. A única relatoria que ficou com o grupo de situação foi da comissão de Direitos Humanos e Defesa da Cidadania, com Bortoli de relator e Tony de presidente.

 

Corregedoria

Além de abocanhar dois terços dos cargos nas comissões competentes, o grupo dos 8 também levou a corregedoria da Câmara. O cargo, ocupado no primeiro biênio por Luciano Chitolina, é responsável por apurar denúncias envolvendo os membros da Câmara e a exposição da instituição. Basicamente, o corregedor é o vereador que vai investigar seus pares.

Disputaram a eleição Joacir Testa de Dilmair Callegaro. O bloco dos 8 foi absoluto. Dilmair foi eleito com o seu voto e dos seus 7 novos colegas de grupo.

O último corregedor da Câmara, Luciano Chitolina, foi responsável por conduzir o processo que resultou na cassação do mandato do vereador Fernando Brandão (PR), acusado de cobrar para si parte dos salários dos funcionários da Câmara lotados em seu gabinete. Foi a cassação de Brandão que abriu espaço para Remídio Kuntz assumir como vereador, costurar essa articulação com 8 vereadores, que o elegeu presidente e agora abocanhou todas as comissões competentes.

Dilmair, o novo corregedor, é o único vereador de Sinop que continua respondendo a um processo do período eleitoral. Ele é acusado de caixa 2 e gastos indevidos na campanha. A audiência do seu processo foi realizada na última sexta-feira (1).

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