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Rural

Assentados colhem gergelim orgânico para o mercado japonês

Mato Grosso | 04 de Junho de 2020 as 08h 09min
Fonte: AGRNotícias

Foto: Ederson Porsch

O município de Canarana-MT, se tornou a capital nacional do gergelim. Foram plantados na atual safra, mais de 85 mil hectares no município. Mas um projeto de 23 hectares no Assentamento Guatapará, tem chamado a atenção. Nele, com apoio da Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural), 13 famílias estão em fase final da colheita do gergelim orgânico, que será exportado para o Japão.

A ideia foi concebida pelo extensionista da Empaer, Gildomar Avrella, no final do ano passado. Antes de apresentar a proposta para as famílias, ele conseguiu o mercado, através de uma empresa exportadora do estado de São Paulo. Com mercado garantido, a assinatura do contrato aconteceu no mês de janeiro último, durante o Dinetec (Dia de Negócios e Tecnologia), em Canarana.

Cada família plantou entre um e dois hectares. Com ciclo de 120 dias, a colheita é feita manualmente em mutirões, quando não há perdas, diferente da colheita mecanizada. As plantas ficam nos montes secando por cerca de 30 dias. A previsão é colher 40 toneladas de gergelim, da variedade Anahí, sendo que 20 toneladas (um contêiner) será exportado para o Japão e o excedente será absorvido pelo mercado interno.

Para ser classificado como gergelim orgânico, não pode haver o uso e a incidência de pesticidas. Antes de embarcar para o Japão, o exportador de São Paulo fará uma análise nos grãos. Em contrapartida, o preço pago é 40% maior que a cotação do dia, com mínimo de R$ 4,00 por kg. Ou seja, se a cotação no mercado local tiver em R$ 3,50 o kg, o assentado receberá R$ 4,00 por kg mais 40%.

“Cada família vai colher, em média, três mil kg de gergelim, gerando uma renda, pelo preço mínimo, de mais de 16 mil reais, com um custo baixíssimo, já que o trabalho é feito com mão de obra familiar. Tudo isso em apenas quatro meses”, disse Gil, que prevê uma renda ainda maior nos próximos anos, já que ele tem mercado garantido no Japão para até 100 toneladas.

Conforme o extensionista, além de aumentar a área de gergelim, a Empaer está trabalhando para a implantação de outras culturas no assentamento, como crotalária, feijão, amendoim e algodão colorido, abrangendo em torno de cinco hectares por assentado, trabalhando com o conceito orgânico. A ideia é gerar renda e fazer com que o agricultor familiar permaneça em seu lote.