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Pecuarista processa JBS pela maior queda do preço do boi nos últimos 20 anos

GC Notícias | 20/09/2017 16:52

Gileno Soares busca reaver prejuízos motivados pelo caos econômico do setor arquitetado pelo Grupo

As ações ilícitas do Grupo JBS, sobretudo de Joesley e Wesley Batista, vêm causando perdas imensas para o cidadão comum, sobretudo o produtor rural. Apesar de as ações terem tomado contexto global e afetado a economia de um país inteiro, muitas vezes os olhares não se voltam a quem realmente está perdendo com os crimes cometidos pela gigante frigorífica. É o caso de Gileno Alves Soares, pecuarista durante toda sua vida, que está entrando com pedido de indenização na Justiça por danos financeiros e morais gerados pelo impacto das diversas ações e escândalos envolvendo a JBS, como a Operação Carne Fraca e a Delação de Joesley, e que repercutiram negativamente em seu ganha pão. Foi a maior queda no preço do gado em 20 anos.

O caso é simples. No período de março de 2017, o produtor tinha um rebanho de gado contendo 283 cabeças em duas fazendas, todos com idade entre 24 e 36 meses e pesando cerca de 18 arrobas - sendo assim considerados prontos para o abate, de acordo com o que é conhecido pela pecuária brasileira como sendo o período de melhor relação custo x benefício para o processo. “O abate antecipado ou posterior gera perdas, aumenta investimentos que não terão retorno e ainda amplia gastos de manutenção. Isso é do conhecimento de qualquer produtor”, garante Soares.

A programação financeira do pecuarista gira em torno dessa informação. Compromissos financeiros são assumidos para a data do abate, que é quando aquele produto realmente entra no mercado, passando de mercadoria a dinheiro. A agenda de abates também influencia na programação para a renovação o rebanho para uma próxima época de abate. A atividade curva-se a uma linha do tempo, onde cada evento é planejado em função das programações de abate. Funcionários, equipamentos, tratamentos, alimentação do gado, tudo isso recebe a injeção monetária vinda do abate naquele período, sem contar a necessidade de liberação das dívidas adquiridas durante o cultivo.

Como produtor a vida toda, Soares assim o fez sempre. Isso deveria gerar a ele cerca de R$ 730.123,02. Porém, os crimes cometidos pelo JBS e seus controladores foram denunciados em grande escala noticiosa bem na época propícia ao abate, o que gerou uma queda absurda no valor do gado, tornando a atividade inadequada naquele momento. “O crédito rural não altera seu vencimento. A programação financeira não espera ou se anula. O gado passou a ficar abaixo do custo de produção, sobretudo como consequência das ações de Joesley e Wesley, réus e controladores do JBS”, evidencia o advogado da vítima, Nacir Sales. Economias foram sangradas e empréstimos a juros astronômicos foram feitos.

A “Operação Carne Fraca”, que é uma das maiores operações já realizadas pela Polícia Federal, reunindo cerca de 1100 policiais, cumprindo 309 mandados judiciais, “estourou” bem no meio de março. E, em se tratando de algo que tange à saúde pública, houve uma repercussão absurda, tornando impossível que a carne voltasse a um valor razoável em tempo próximo. “Para piorar a situação, a famosa delação que os réus realizaram logo em seguida, jogaram mais uma vez a economia lá embaixo, e dessa vez pior, em um abominável esquema de lucro em cima da própria delação”, lamenta o pecuarista.

O caos foi tanto que a arroba do boi deixou de ter o preço publicado na época. Os controladores faturaram centenas de milhões com a delação através da compra de dólares horas antes da delação, quando o preço da moeda disparou, chegando a R$ 3,43. Isso sem contar os mais de R$ 300 milhões em ações que eles venderam, antes que a delação fizessem os papéis da JBS despencar. Quem comprou amargou prejuízos.

A venda de ações e a compra de dólares já demonstrava que havia uma estratégia bem elaborada para não perder nada e ainda ganhar muito em cima das atitudes realizadas pelo Grupo nos dias que se seguiriam. Houve uma queda de 9,68% na bolsa brasileira, e como os compradores das ações não seriam tantos em tão pouco tempo, o próprio Grupo comprou ações se utilizando de dinheiro que era também do BNDES e da Caixa. Ou seja, os réus manipularam o mercado para levar mais vantagens financeiras, além de ganhar a impunidade por impressionante quantidade de crimes.

O advogado de Soares entrou com uma ação para a reparação dos danos causados à pecuária. “Toda ação tomada foi minimamente calculada pelos fraudadores a fim de maximizar seus lucros. O produtor rural brasileiro amargou prejuízos causados pelo impacto das práticas ilícitas do JBS e dos irmãos Batista, que derrubaram o preço do rebanho no mercado nacional”. A maior queda da cotação da carne, que coopera para o cenário de dificuldade financeira geral no Brasil moderno, se deve à repercussão dos crimes praticados que envolvem a cooptação de agentes públicos e o suborno de centenas de autoridades. “Esta ação é inédita, mas não trata de um caso isolado. Cada pecuarista brasileiro tem o mesmo direito, afinal todo o setor foi prejudicado pela repercussão dos atos ilícitos praticados por este covil de irresponsáveis. Esta ação judicial transformará irresponsáveis em responsáveis, na medida em que os condenará a reparar os danos”, finaliza Sales.

Fonte: Redação com Assessoria